Casagrande e Senzala

Erros, acertos, elevação do discurso, torcida, etc. Tudo vale, assim como vale passar vergonha.

Calma! Você não está prestes a ler uma resenha do livro de Gilberto Freyre. Seria, inclusive, um erro fatídico logo na escrita do título. Trata-se aqui de uma análise de dois personagens da vida pública; o ex-jogador e atual comentarista de futebol – Walter Casagrande e a ex-jogadora de vôlei e atual analista política – Ana Paula Henkel. Eu poderia falar de qualquer outro Walter ou qualquer outra Ana de nosso cotidiano, facilmente. Porém, visando elucidar o termo “senzala”, de maneira mais enfática e global, pessoas conhecidas facilitam aguçar nossa percepção da senzala ideológica.

Calma, mais uma vez! Também não quero que aqui seja um noticiário de viés fofoqueiro, por se tratar de supostas celebridades. A intenção é compararmos os cérebros e céleres tentativas de um sujeito que deseja a qualquer preço parecer inteligente e antenado. Em contrapartida da outra que analisa incessantemente os fatos com base em sua verdadeira inteligência analítica.

Erros, acertos, elevação do discurso, torcida, etc. Tudo vale, assim como vale passar vergonha.

Recentemente Casagrande atacou a pessoa Ana Paula, não as suas ideias. Isto já mostra a personalidade de um homem que não consegue desapegar de um passado, de uma conjuntura, tentando a qualquer preço alocar sua mente estacionada ao atual momento que a sociedade caminha. O caminho deste embate tomará rumo processual, segundo afirmação da própria analista política, pois caracterizou, injúria, calúnia e difamação.

Não vale a pena desgastar o leitor com a reprodução do ataque promovido por Casagrande em seu artigo/tuite e a resposta de Henkel ao mesmo. Vamos deixar esta parte para a Comarca. Precisamos definitivamente entender o que leva um homem a fugir de sua posição, endossada pela Rede Globo como comentarista futebolístico, a acordar com o dedo no teclado e tentar promover o assassinato de reputação (ainda que em vão) à Ana Paula Henkel.

Casagrande é um escravo do establishment, mesmo que o próprio não tenha a noção clara do que se trata. Para quem viveu a época ou para os curiosos de certos momentos da história brasileira, lembra-se da tal Democracia Corinthiana, fracassadíssima em termos lógicos, mas com relevância para a biografia, principalmente, do seu real percussor, e, este sim, um craque dentro de campo, Sócrates. Um amante incondicional da publicidade cubana, Sócrates, além de registrar um dos seus filhos com o nome do genocida Fidel Castro, também dizia que Cuba era o modelo ideal de civilização. Nota-se: Não possuímos registro de Sócrates jogando por amor ou dinheiro em Cuba, muito menos atuando como médico (sua formação universitária) no país comunista. Estranho? Nem tanto. E Casagrande foi por um período uma espécie de Robin de Sócrates.

Relembro com muito carinho, ainda criança, quando acompanhava os jogos da seleção brasileira de vôlei feminina. Por coincidência havia uma rivalidade muito grande entre brasileiras e cubanas. Eu vi, e quem duvidar, procure e achará facilmente na internet os lances magníficos de Ana Paula nas quadras, tomando chute de cubana na canela por baixo das redes, fazendo lances incríveis, ataques memoráveis, disciplinada e sempre vencendo. Vencia até quando perdia, pelo motivo notório de sempre sair de cabeça erguida até em derrotas naturais como em qualquer esporte.

Há quem discorde e cabe meu respeito. Casagrande não obteve magnitude nem mesmo no Corinthians. Enquanto Casagrande tinha uma passagem pífia, por exemplo, pelo Flamengo, no mesmo período Ana Paula era acordada por várias vezes, juntamente com outras atletas, em plenas madrugadas para coletas de urina pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ou pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), visando não deixar um indício de elevação de testosterona ou qualquer coisa que passasse perto de um doping.

Doping. Pois então… O doping, obviamente, não é identificado apenas por uso de drogas ilícitas. Mas quem leu a biografia do Casão e já ouviu de sua própria boca sabe muito bem sua íntima relação com as drogas. E, antes de qualquer provocação, não estou e não me sinto com envergadura para ajuizar valor sobre sua dependência química. Estou relatando um fato. Fato! E, justamente, fatos, fazem que Henkel desperte os piores demônios em Casagrande, um bom cabeceador dentro de campo e cabeça dura para compreender 1% (sendo bem otimista) o que Henkel nos apresenta.
Mesmo a comentarista POLÍTICA possuindo suas inclinações ideológicas, eu, você, o Casagrande e mais ninguém vai encontrar um registro da conhecida Ana Paula do Vôlei assanhando seus ouvintes e leitores a calar a boca de quem pensa o contrário dela. E também não encontraremos nada relacionado a antijogo enquanto a medalhista atuava nas quadras.

Pau que dá em Chico parece não dá em Francisco. Quando um atleta, assim como Felipe Melo (Palmeiras) e Jadson (hoje Athlético Paranaense, na época Corinthians), manifestaram apoio ao então candidato Jair Bolsonaro, prontamente foram atacados por Casagrande, desqualificando-os. Incoerentemente, o mesmo exalta atitudes como a da jogadora Carol Solberg, do vôlei de praia, gritando em pleno microfone um “Fora Bolsonaro”.

É o que Confúcio já alertava de maneira muito eloquente: “Quando as palavras perdem seu significado, as pessoas perdem sua liberdade.” A inocuidade de fazer associações intelectuais pertinentes e dentro de sua esfera de conhecimento, direciona o sujeito a verdadeira escravidão do politicamente correto, achando que está defendo suas reais ou imaginárias vítimas sociais.

Enquanto Ana Paula Henkel se aprofunda constantemente em seus estudos, trabalhando diariamente e com sucesso indiscutível no programa de grande audiência “Pingos nos Is” da Jovem Pan e colunista da Revista Oeste, trazendo em todos estes veículos pragmatismos necessários no âmbito da política do dia brasileira e americana em especiais, o personagem extremo do polo parece viver aquele tédio desesperado pela falta de protagonismo em tudo que fez e faz, abraçando ideias revolucionárias de fundo de quintal com o único intuito de afastar de si uma espécie de angústia de sua existência.

Aproveitando o ensejo política e esporte, sinto-me confortável em trazer Nelson Rodrigues, um intelectual impar em tudo que produziu: “É fácil amar a humanidade; difícil é amar o próximo”.

Se o Casagrande, assim como demais dicotômicos destrutivos, saíssem da bolha, teriam a chance de entender que Ana Paula defendeu justamente a liberdade de expressão do parlamentar preso e em momento algum corroborou com as falas proferidas pelo deputado.

Em qualquer Walter que encontramos com o mesmo espectro do ex-jogador, há uma paixão política, cega e hospedeira da mudez em relação a real ditadura contra cidadãos comuns.

 

Dinho Ferrarezi, de Juiz de Fora, MG, é jornalista e Livre Pensador!
Facebook
Instagram

COMPARTILHE O CONTEÚDO DO BARATAVERSO!
Assinar
Notificar:
guest

1 Comentário
Mais Recente
Mais Antigo Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários
Genecy de Souza
Genecy de Souza
13/02/2024 3:06

Nada entendo de vôlei, de futebol, ou de qualquer outro esporte. Entretanto, não posso ignorar alguns ídolos do esporte que, positiva ou negativamente, se destacam em outras frentes.

Após aposentar-se das quadras, Ana Paula Henkel mudou a chave e é agora uma atleta da análise política, e mestra em tirar dinheiro de seus detratores-difamadores. Já Walter Casagrande, após pendurar as chuteiras, é um especialista em dar bolas fora, além de ser uma figura triste, patética e cômica, fruto, quem sabe, das sequelas de sua dependência química.

Aliás, Casão é dependente da Rede Globo, que o “adotou” por pura conveniência política, e que lhe dará um chute no traseiro no momento oportuno.

Não sei se sinto pena da A P Henkel por aturar um idiota metido a intelectual, ou se sinto pena do Casagrande por apanhar feio de uma dama.

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

×