Foto Gazeta do Povo (Douglas Garcia)

O Silêncio dos Indecentes

Vale lembrar a citação do filósofo Eric Voegelin: “se há muitas pessoas que acreditam em alguma parvoíce, ela se tornará uma realidade socialmente dominante, e quem quer que a critique coloca-se na posição do bufão que deve, então, ser punido”.

Fiquei 10 (dez) dias esperando uma robusta matéria por parte da “antiquada mídia” sobre o histórico 1º de Maio. Nos veículos, digamos, autênticos e com público que os escolhem, ou seja, aquele que gosta de fatos, a notícia chegou rápido e do tamanho da manifestação. E importante lembrar, a priori das opiniões.

Existem os que já rejeitaram a mídia já não mais tão tradicional, a qual chamo aqui de antiquada, por falta de confiança, nojo, ideologia, etc. Eu não, faço ainda questão de verificar o que eles priorizam, pois ainda não subestimo o inimigo.

Realmente há dias que a vida é um ato de muita coragem e resistência, “um Engov antes outro depois” e vamos em frente. Várias emissoras em seus protocolos padrões de qualidade (sic), fizeram (cada qual com seu cada tem) fragmentos de novas versões de “Democracia em Vertigem”. Se neste tivemos um “documentário ficcional”, nos anteriores tivemos desesperadas notícias ficcionais.

Imaginem o trabalho do cinegrafista para não ampliar a imagem. Zoom. Mais zoom. Mais, mais, mais zoom. Ah! Sejamos bondosos, ou melhor, empáticos, o cinegrafista brincou de arte. Já era as regras básicas do jornalismo (quem, o quê, onde, como, quando e porquê).

Vale lembrar a citação do filósofo Eric Voegelin: “se há muitas pessoas que acreditam em alguma parvoíce, ela se tornará uma realidade socialmente dominante, e quem quer que a critique coloca-se na posição do bufão que deve, então, ser punido”.

Havia um tempo que jornalistas corriam para “dar o furo”, hoje na maioria das faculdades de comunicação, a frase “ dar o furo” só faz sentido ser for um TCC sobre conotações sexuais, afinal, o que é o maior e mais espontâneo 1º de maio da história brasileira perto dos glamourosos trabalhos de conclusão de cursos e monografias sobre a contemporaneidade dos pancadões.

Em autocrítica, reafirmo que sempre subestimei manifestações com mais de uma pauta, no caso, por exemplo, de duas a segunda precisava estar interligada à primeira. Hoje eu consigo através de uma análise empírica afirmar a possibilidade. No emblemático dia do trabalho, o excesso de exigências – “o poder emana do povo” – situou em impeachment de ministro do STF, liberdade, repudio às medidas ditatoriais de prefeitos e governadores e sinal claro de apoio ao presidente da república. Em suma: Eu autorizo.

Nada disso possui relação bolsonarista. Se partimos desta falsa premissa, os mais ofendidos serão os fiéis apoiadores do Brasil, refiro-me sem meias palavras aos brasileiros que desejam apenas seguirem suas vidas, sem medo de cerceamento de suas liberdades, inclusive, a livre escolha de criticar negativamente o próprio presidente Jair Bolsonaro.

A bolha antibolsonarista composta por supostos intelectuais, mídia e academia tornou-se ainda mais antagonista e desconexa da realidade do povo. São mundos opostos.

A situação global está esquisita, mas enquanto ainda não é crime, vamos olhar para os países que não deturparam o significado das palavras e não fecharam seus negócios e vidas, simplesmente mantendo “o direito de ir e vir”. No Brasil sofremos um seríssimo problema de coerência, não existe oposição propositiva e a Direita não consegue se organizar. Estas duas constatações legitimam ainda mais as multidões de 1º de maio em apoio ao governo federal. As manifestações tiveram como corpo principal o cidadão de “saco cheio” e ciente de quem são os reais culpados pela crise. Em contrapartida, não podemos descartar as inúmeras críticas negativas que muitos apoiadores possuem sobre o atual governo federal, e justamente este fator nos atormenta e faz-se urgente a lucidez por prioridades. O lúcido continua se perguntando: Como eu vou reclamar primeiro de determinado erro de Bolsonaro se tal reclamação favorecerá o inimigo corrupto?

Sim. É possível fazer as duas coisas. Acontece que no mundo dos adultos, precisamos de prioridades. O adulto maduro sabe que já existe muita gente com espaço na mídia falando mal do chefe do executivo, geralmente pelo motivo errado, então o sujeito adulto, cheio de boletos que não contraem Covid-19, coloca na balança e toma sua decisão de apoio prioritário.

Como diz o ditado popular; “o pulo do gato”: Enquanto a tríplice de ocupações – mídia/academia/cultura – deseja a qualquer custo derrubar o presidente para voltar a ter suas verbas indenizatórias pela ausência de compromisso com a verdade, o cidadão de verde e amarelo que compõe a #EUAUTORIZO deseja a permanência do presidente para voltar a ter suas verbas meritocráticas pela presença do próprio trabalho.

Dinho Ferrarezi, de Juiz de Fora, MG, é jornalista e Livre Pensador!
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