“Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, cem dramas” (*)
Mais de um bilhão de votos,
O anunciado cadavérico de nossa vã futilidade
Fenômeno escancarado em decibéis
Aos quatro cantos daqui, em jornal nacional.
Sucumbiremos às pragas todas, paulatinamente,
a essa e as outras.
Não há justificativas plausíveis para riso bobo.
Só as hienas deveriam ser os carnívoros incompreendidos
No mundo animal.
A pobreza esmorecida, decadente
Regurgitada em tapetes velhos
Atestando em cartório, com firma reconhecida
A total falta de sensatez desses homens
Que só tem umbigos narcísicos
Reconstituídos em clínicas de estética.
manequins engradados, ocos.
Ninguém liga para os nomes do obituário.
As portas do paraíso foram fechadas
A curto prazo morreremos todos,
No ridículo cercado dos olhos
Diante de um programa de TV.
Qual a medida da reza
Se as mãos largam suja a louça do jantar,
As dispensas infectadas das sobras
Servem ao banquete dos ratos.
Mais de um bilhão de votos
E eu ainda não entendo,
Sigo perdida.
01.04.20
(*) “Por que a gente é assim?” Canção de Barão Vermelho