[Diários de guerra não registram amenidades]

Diários de guerra não registram amenidades amnióticas dos úteros esperançosos de sol
Dizem até que as mulheres
Destes tempos secos
Nao menstruam nos ciclos lunares
É que se há tanto sangue espalhado no chão
Já não se precisam dos óvulos dispensados pelos ventres pagãos.

Os peões são as primeiras peças do abate
Uma fileira de carne usada aos propósitos Bélicos do poder da arte das armas
O medo empalidece, enrijece os músculos Trava a língua e o cérebro
Só fazem temer o que se tem
Por detrás das portas.
São os fantasmas dos novos tempos servis
As vozes morreram em túmulos lacrados
Ou se perderam entre o pavor dos olhos.

As trincheiras estão nas ruas
Abatidas pelo silêncio e vergonha
Dos poderosos tortos
Alçados nas urnas cabalísticas
A pirotecnia das propagandas de jornal
Pagas com o dinheiro dos impostos
Roubam-se muito mais do que
Os pecados pecuniários
Nos aproveitos das inocências das virgens
E das velhas viúvas.

OS SOLDADOS MORTOS
NÃO SABEM DOS FILHOS DO AMANHÃ

24.02.21

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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