Do que adianta chorar minha nascença,
Se aqui não tem perfume,
Pior terra, não há de haver escolhido.
nem no céu, as nuvens brincam mais.
Já me deixaram esquecido, prisioneiro desse lugar,
Sem chave sem saída.
Nasci assim, de colheita rasa, franzino,
Menino pequeno, diziam não ia vingar.
Ainda mais uma boca nesse casebre,
que ronca fome tem febre e, sonha pão
Do que adianta insistir em mais um dia,
Se é na beira da rua que ando descalço,
O sol queima a pele e faz suadouro,
E, na torneira, desabo o cansaço.
O osso dói, o pé também.
Do que adianta a escola,
Escrever não sei, ler, menos ainda.
Se é só de comida, que consigo lembrar.
Do sinal e da vida, só moedinhas,
Que é pra dá algum sustento,
pros outros pequenos, que moram lá.
Talvez eu ainda, chegue mais um tanto,
Aprendo a canta, sorri e solta pipa.
Compre um sapato e ganhe um nome,
Porque do que me chamam, não gosto não.
Talvez eu vire homem, e daqui possa escapa, ou a esquina me vire
E, vire eu, só mais uma lembrança dessa vida pobre, escorrida.
Bala perdida,
Sina vulgar.
Junho 19