E a gente vai se corroendo
Em ódio, egoísmo
No Lixo
Na bile
No grito
Em fel,
Virando chorume.
Fede.
E a voz fica na garganta,
Palavra morta.
O coração sangra
Talhado à navalha
Na carne, rente.
Exposta.
E a gente
Vai matando o semelhante
E, o animal indefeso.
No rio de lama
Que derruba a barragem.
A impunidade, sacanagem.
E a gente,
Só vai se acabando.
Terra, água
Deixando a nuvem preta.
Pisoteando a flor.
Só sobra
O vazio, o nada.
Porque a gente mesmo
Se matou na indiferença
Se afogou no verbo
E, desistiu de amar.
14 de Setembro de 2018