[Faz frio na carne que sente saudade]

Faz frio na carne que sente saudade
a lenha umedecida na saliva de nossas indiferenças
embolora no fundo da casa,
Não servem ao fogo.
Talvez, aos cupins e as aranhas
a uns, um banquete, à outros, só um lugar exato e preciso de escuridão
Nenhuma chama, ainda chama
só o silêncio do vento, atravessa a janela.

Já dissecaram me os ossos, alguns, trincados pela mordaça dos dias.
Os jardins estão secos e, de lá já não saem perfumes.
Vesti vermelho, para afugentar os fantasmas
eles não gostam da cor,
riem por cima do ombro.
Já conhecem a comédia das máscaras
Já reconhecem o meu olho, bem mais, que o espelho

Conto segredo às paredes,
Como se elas já não os soubessem.
Contestam-me,
São as testemunhas do meu escárnio,
Não bastam para cúmplices.

Selvagens, são as horas
Acumulam poeira,
Ainda tenho o gosto da sua língua, na boca.

10 Jul 19

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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