Homens assombrados por suas sombras
Se esgueiram de si mesmos, dos olhos, da parede,
Do espantalho, em que se está travestido.
O espelho revela o rosto do medo, o negro da iris.
É só mais um grito sufocado, nessa manhã.
E, quem os condenam e julgam covardes,
Esquecem no entanto ,
Que todas as rezas, pedem coragem,
A companhia de Sancho, a loucura do Quixote.
Perdidos no asfalto na crueza,
O frio concreto.
Entre seus horrores e amores de carne.
seguem sucumbidos ao flagelo da sarjeta.
a resistência de mais uma dose,
ao ruim do cheiro de um cinzeiro,
Ao recrudescimento do vazio, presente.
Ah… esses homens, em suas sinas
Escondem o que sentem,
Mentem sorrisos, de margarina.
Atrás da máscara opaca,
Vestida, para o jantar.
Da vida deixada, à sombra.
Seus pesadelos,
Suas orações de sangue,
Seus delírios vorazes,
assombrados de noite.