Lembro agora do busto de Augusto. Poeta vetusto. E da estátua de Messalina. Amante da Clementina. E prossegue minha sina. E minha fúria assassina. E agora insisto. Que não é cisto. Nem parente do Mefisto: Eu ainda existo. Nem tão quisto. Nem tão Cristo. Mas como o previsto. Ainda resisto. Diante da doença. Da crença. Que teimam em derrubar. E no bar. Ainda sem gosto. E diante do exposto. Exponho meu rosto. Um tanto a contragosto. E encarno o poeta. Que reseta. A coisa inepta. E como falso profeta. Acerta. Sem acertar. E sem matar. Nenhuma ave. Mesmo que suave. Com tiro algum de misericórdia. Por desculpa ou discórdia. E nem pedido de misericórdia. Apenas por enforcar a dolorida. Nada colorida. Dor de acordar. E abordar. O dia como se fosse eu um tira. Que retira. Do embornal a marmita. E ainda acredita. Na maldita. Fome de sobreviver. E não consegue ver. Mas sabe quando recita. De cor o código penal. Tão banal. É por ofício. E dos ossos do precipício. Que não quer pular. E assim para o desgosto popular. Que tem mania de adular. Bandidos. Que sempre são tidos. Como pobres coitados reprimidos. Pela sociedade. Que sofre com sua maldade. E acaba morrendo de saudade. Da idade. Da repressão. E por pressão. E depressão. Se esconde na maldade. E na ansiedade. Enquanto a sociedade. Amedrontada. Espera a última cartada. Que nunca chegará a nada. E como pobre coitada. Angustiada. Acabará estirada. No meio da estrada. Ou numa cela. Acendendo vela. Ao seu anjo protetor. Enquanto o constrictor. E o falso escritor. Vestem fardas e togas pretas. E aqueles que não conhecem a imortalidade. Encaram a anormalidade. E a liberdade. Como se fosse. Crime contra a humanidade. E pela imensa maldade. Sofrem a adversidade. De estar do lado oposto da diversidade. Pensando ser Universidade. A faculdade. Da perversidade. Da excentricidade. Mas não sabem que a verdade. A realidade. Acabam vencendo. E assim sendo. Acabam convencendo. Que dois mais dois sempre será quatro. Mesmo que qualquer astro. Ou bandeira no mastro. Lhes digam. Ou que lhes persigam. E consigam. Amedrontar. Lhe fazer de medo cagar. E até se matar. Mas por regra de semântica. Ou linhagem romântica. Minha luta titânica. E minha voz orgânica. Se abrem contra a toga tirânica. E enquanto espero a verdade canônica. Escrevo todo dia outra crônica. Com a tônica. Da inutilidade poética. Futilidade estética. Mas profundidade ética. E depressão morfética. Prefiro ficar aqui a vomitar. E assim irritar. Quem tenta imitar. O tirano cigano. Ditador romano. Que prende e arrebenta. E não enfrenta. Qualquer oposição. Na sua posição. De dono da constituição. Comprada à prestação. E paga com o dinheiro da nação. Agora “Sofro aceleradíssimas pancadas no coração. Ataca-me a existência. A mortificadora coalescência das desgraças humanas congregadas!” Como escreve o Poeta do Hediondo. E assim percebo um enxame de marimbondo. A ferroar minha mente. Eternamente. Lentamente. E ainda que eu lamente. Como o Eu de Augusto. Com meu Eu nada robusto. “Monstro de escuridão e rutilância, sofro, desde a epigênesis da infância”. Sofre da inconstância. Por burrice ou ignorância. Em única instância. E tinha esquecido. D’A Psicologia de Um Vencido. De tão aborrecido. Com tanta estupidez. E aridez. Do “verme operário de ruínas. Que o sangue podre das carnificinas. E à vida em geral declara guerra”. E assim se encerra. Outra vomitada nojenta. De um poeta que não aguenta. Engolir tanto medo. E ainda guardar segredo. Sem poder vomitar. E a própria vida de merda regurgitar. Ficam então nestas muito mal traçadas linhas. Que nas entrelinhas. Falam das putinhas. Gostosinhas. Em metáforas. Anáforas. Diáforas. Cheias de catáforas. Cujo cérebro fica a inteira noite a moer. Remoer. E só para mesmo de doer. Quando termina de roer. O que sobra da minha lúdica esperança. “Que por sentença é o laço que ao mundo nos manieta.” Como escreveu o poeta. Na minha poesia predileta. E que termina por mim. Num vômito sem fim: “E eu, que vivo atrelado ao desalento, também espero o fim do meu tormento, na voz da Morte a me bradar; descansa!”
07/05/2024


Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
