[Já reguei mortos distraídos em um canteiro central]

Já reguei mortos distraídos em um canteiro central
Fugiam do atropelamento eminente,
E dos motoristas de um olho só,
Que mal sabiam a diferença entre os ventos.

Diziam nascer de outro mundo
entre um alvoroço de rezas
Contavam a indiferença predileta dos mares
Em ondas de sal e sol.

Conjugavam poesias como se fossem verbos de ligação
Diziam que o amor não nasce do concreto dos dias
Pois há de se ter um objeto direto,
De admiração fluídica
Como um gozo escorrido entre as pernas.

Recolhi pingos de chuvas desandadas
Um desague das nuvens pálidas
Sobre os corpos nus amontoados.
Faziam amor loucamente
Um banquete farto de dedos e dentes
De comidas a boca e aos meios
Dos orgasmos fatais e finais.

Abençoado seja o cio dos animais de sangue quente.
As águas caídas respingam frio.

Maio 20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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