Lacuna, hiato falho,
um lapso, prolapso mitral.
Só um grande vácuo no tempo-espaço
Onde não existo.
parênteses, remediando-se entre dois senhores
Numa guerra de posse, sobre um feudo maldito,
Uma alma,
Minha alma.
Um pensamento latente de fim,
Abortado entre o café da manhã e o jantar
enquanto, numa madrugada qualquer
resisto amorfo, esquecido
entre a crueza das paredes
e o frio deste chão.
Escombros de um esqueleto pré-moldado,
Soterrado em si mesmo.
Meus dedos quebradiços
Sentem o frio do silêncio
São só as indiferenças do mundo
Nos acasos das partidas.
Nos ossos dos nossos mortos.
22.01.20