[Morra na hora exata, nem um segundo antes, nem um segundo depois]

Morra na hora exata, nem um segundo antes, nem um segundo depois
Que é pra não atrapalhar o gozo da vizinha
O sexo é sagrado, já morrer, nem tanto
Que evento é esse, que nos empurra goela abaixo nossa finitude
O decrépito da nossa efemeridade,
De que não se há escapatória
Nem a santidade salva.

Morra, só morra
Não dê aos crédulos, motivos de indignação,
Nem aos céticos a dúvida
Sobre o existir.
Morra corajosamente, ressignifique seus hábitos,
Ria escandalosamente, desavergonhadamente, se possível
Com o fato inédito do previsível
Complete a linha
Sem os arrependimentos do script.

A vida exaurida,
Consumida até a última gota,
O suor salgado espalhado sobre a pele,
Diz sobre as lutas
As batalhas de Hércules,
Em doze penitências
Para se tornar um imortal de face,
Quando do espírito, não há mais pertencimento.
Vende-se a escrita,
O ato falho
O hiato.

“Alguns recusam o empréstimo da vida para evitar o débito da morte”.
Livro de frente para o sol.

01.01.20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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