Não sei se as impressões são minhas
Ou as da tela do último quadro
Que um artista esquizofrênico resolveu pintar.
São tantas as cores desesperadas na memória de sua loucura.
De quem são as agonias?
as minhas, a do pincel, ou as emprestadas do morto.
Talvez devesse olhar o branco sujo da parede ao lado,
E nela fundir-me ao seu abstrato
Enganar me aos olhos.
Ao invés de abrir a próxima lata de lixo.
São dias de tarja preta, de rebeliões, de retaliações, de ares suspensos
Os cadáveres são enterrados como indigentes,
Nenhuma carpideira chora seu fim nem reclama o corpo.
Tento, um traço fino riscado no papel
A mão tremida, perdida no quebrado da janela.
O poeta sangra chora sonha
Um rio de águas limpas, de peixes vivos,
Sem cheiro e cor de esgoto
Talvez, seja eu, a espectadora esquizofrênica
De um artista de quadro barato,
Que não tem parede, nem memória, nem agonia.
Talvez, as cores desesperadas, nem sequer são vermelhas.
Talvez, só olhe uma moldura pincelada de azul,
De um espelho. Um reflexo.
Jul 19