Arte: Barata

[Quem pagará pelos mortos, pelas honrarias cívicas] (Inédito)

Quem pagará pelos mortos, pelas honrarias cívicas, pelos uivos e lamentos da noite, pelo desespero, pela falta e solidão.

Quem pagará pelo que não temos mais, pela fala, pela pele fria, pelo gozo perdido, pelo silêncio, pelo afeto e mão. Quem será o carrasco final para as nossas dores e omoplatas inchados, pelo alívio, pela corda cortada, pelo precipício e desfiladeiro, pelo vácuo neste instante exato de nada.

Quem arcará com a investigação da arcada dentária, do siso inexistente, da boca inerte, do que sucumbe ao asfalto, para que se descubra o nome do corpo, para que lhe batizem antes do fim, do limbo, do esquecimento, do álbum rasgado, do epitáfio inaudito.

Quem dará a propina ao próximo ladrão, quem esconderá as malas, quem falará em honestidade em rede aberta de televisão, quem pisará nas lamas do palácio, quem duvidará dos mortos e dos vivos injustiçados e presos, e amordaçados e levados pela enxurrada e correnteza, nas águas de um raivoso rio vermelho.

Quem serão os homens que rezarão a reza da salvação, que terão salvo conduto, que dirão palavras santas, que chamarão de amigos, que irão ao inferno, que dividirão o chão, o pão, os pesadelos, a casa simples, a comida corriqueira, o desespero do espelho.

Quem de nós será reminiscência, fato, acaso, de alguém.

Quem de nós viverá até o amanhã de amanhã, sem que lhes faltem hoje.

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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andréa
andréa
04/05/2024 17:02

belíssima inspiração

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Plágio é Crime!

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