O Homem Que Fedia

O Homem Que Fedia

Parte 1 – Porque Fedia

E em minha rua tinha um homem que fedia
Tinha pés descalços e sujos e também bebia
Suas mãos eram enormes e as unhas imundas
E sempre chamava mulheres de vagabundas.

E em minha rua, que não era nenhuma praça
Tinha um homem que fedia sujeira e desgraça
Seus cabelos eram enormes e a barba rescindia
E sempre chamava de putas a todas que pedia.

E naquela minha rua tinha um homem que lia
As mãos enormes folheando livros que recolhia
Era um homem enorme e um tanto engraçado
Mas todas a ele eram putas, aquele desgraçado.

Em minha rua, que era de terra e sem calçada
Tinha um homem com uma mania engraçada
Revirava o lixo atrás de livros quase todo dia
E chamava todas de putas sempre que podia.

Tinha um homem na minha rua que sempre ria
E era sábio lendo os livros que o lixo não queria
E até que era belo, aquele homem corpulento
Mas as putas o chamavam de bêbado nojento.

E aquela rua, que não era minha e de ninguém
Mas do homem que fedia e queria ser alguém
Jamais encontrou um outro homem que sorria
E chamava mulheres de puta enquanto morria.

Parte 2 – Por Que Fedia?
2.1 – O Homem Que Pedia

Em minha rua tinha um homem que pedia
Com a boca enorme tudo aquilo que podia
De comida a dinheiro, o homem tudo queria
E era tanto esse tudo que pedir não poderia.

Em minha rua tinha um homem que era dia
Mas que a noite com a escuridão se parecia
E de um era pedido à outra e a ela ele queria
Tanto pediu que ninguém soube o que pedia.

2.2 – O Homem Que Podia

Mas em minha rua tinha um homem que podia
Num poder tão grande que com nada se media
E sequer ele mesmo tinha a noção de seu poder
Podendo tanto sem pensar no que podia perder.

E em minha rua tinha um homem que perdeu
Que nunca de seu poder sequer se arrependeu
E agora era apenas da rua o homem que fedia
Chamando puta todas as mulheres que perdia.

2.3 – O Homem Que Media

Pois em minha rua tinha um homem que media
E das matemáticas aos deuses, a tudo conhecia
Medindo com sua régua tudo aquilo que podia
Da altura das saias ao comprimento do seu dia.

Mas tem as coisas que acontecem por pura ironia
E a noção e a medida das coisas agora ele perdia
Pois à parte todos aqueles livros que antes ainda lia
Agora era apenas o homem da minha rua que fedia.

2.4 – O Homem Que Perdia

E ainda em minha rua tinha o homem que perdia
E tanto que até podemos falar que é pura covardia
Pois perdeu o poder, perdeu a mulher e até a vida
E ninguém perde tanto de tal forma tanto atrevida.

Mas aquele homem que em minha rua se perdeu
Não era nem tanto um perdido que se arrependeu
Apenas um homem que mediu e perdeu o que podia
E que em minha rua era agora o homem que fedia.

23/05/2013

Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor
(Antologia Poética, de 1978 a 2025)
Barata Cichetto
Gênero: Poesia
Ano: 2025
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 876
Impressão: Papel Pólen 80g
Capa: Dura
Tamanho: 16 × 23 × 5,2 cm
Peso: 1,50

Brindes Incluídos:
2 Marca-páginas da BarataVerso;
1 Marca-página BarataVerso em Couro;
2 Adesivos do BarataVerso;
1 Sobrecapa

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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Celso Moraes F
Celso Moraes F
28/12/2024 7:09

Toda cidade tem esses seres, invisíveis para a maioria:
ignorados pelos que que se acham superiores
e mesmo pelos seus iguais, quem diria!
São essas criaturas de variadas cores.

Pra debaixo do tapete a ”sociedade’ os varre com zelo:
ali esconde tudo o que quer ignorar:
gente que não se encaixa no ‘perfeito’ modelo
da mentira imaculada que se quer contar.

Alguns têm passado inacreditável
e há quem teve tudo e um dia perdeu;
acredito que em breve será inevitável
que parte dessa laia faça eu.

Luiz Alberto F. dos Santos
Luiz Alberto F. dos Santos
27/12/2024 23:18

Um homem fracionado o mesmo ser em diversas maneiras de ser, sendo unicamente no fim, apenas O HOMEM QUE FEDIA…!

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

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