[Quero o peso do juramento, um fardo de olho]

Quero o peso do juramento, um fardo de olho, algo além do vento, que esteja entranhado em todo o íntimo que reconheço, calcificado nos atos e versos, que ascenda a silenciosa oração que faço no escuro canto do esquecimento e do silêncio, neste imenso quarto de solidão.

No legado do que me comprometo os ossos, a sina aceita, mais do que peso, é tratado de devoção e verbo, voz que cala no acumulado do dia, que se leva ao travesseiro e amanhece, sem esmaecer, sem dar trégua aos passos que traço, nesse caminho.

Quero o peso da promessa ao espelho, ao nome que carrego, aos pormenores íntimos do que sou e do meu levante, a consideração dos acasos e ocasos da vida, o tato e o gemido. Um fardo sem que o peso envergue a coluna, só que dite o caminho.

O remoto insuspeito do individual acordo tácito, que faço à pele, que tem cheiro, sangro, gosto e verte, no que aconteço.

Hoje é só mais um dia de acerto, aos céus e infernos dos meus olhos verdes.

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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Ednaldo Borges
Ednaldo Borges
27/08/2024 14:03

Desde tenra idade eu já intuía a importância do “como” nas construções (textuais ou não). Fiz essa reminiscência quando li esse seu texto, Luciane Genez, principalmente o seguinte trecho: (Quero) “um fardo sem que o peso envergue a coluna, só que dite o caminho.” Lendo-o, a minha coluna não envergou, não – mas senti a claridade difusa e diversa de muitos caminhos de leitura. Parabéns!

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