I
Na alvorada dos dias, a inocência desperta,
Como um lírio tímido sob o orvalho matinal.
Seus olhos são espelhos límpidos, sem artimanhas,
E seu riso, um cântico de pássaros em coro.
II
Mas a malícia espreita nas sombras,
Como um felino astuto, olhos semicerrados.
Ela sussurra segredos nas brisas noturnas,
Enredando corações em teias de seda venenosa.
III
A inocência dança nos campos de margaridas,
Ignorando os espinhos ocultos sob a relva.
A malícia, por sua vez, tece intrigas invisíveis,
Como fios de aranha que prendem os incautos.
IV
Mas há beleza na dualidade, na dança do paradoxo.
A inocência nos faz sonhar, acreditar no impossível.
E a malícia? Ela nos ensina a discernir, a sobreviver,
A reconhecer as sombras que se escondem nos sorrisos.
V
Assim, ergo minha taça à inocência e à malícia,
Pois ambas moldam nossa jornada neste mundo.
Que possamos abraçar ambas com sabedoria,
E encontrar equilíbrio na dança eterna entre luz e sombra.
Renato Pittas, Rio de Janeiro, RJ, é artista plástico, poeta, escritor e Livre Pensador. Autor de Tagarelices: Conversas Fiadas Com as IAs.