Apenas pensando, o quanto estamos a cada dia mais solitários, apesar das tecnologias dizerem que nos aproximam. E estar solitário não significa estar a sós, estar sozinho, porque estas são coisas que em muitos momentos precisamos. O que aponto é estarmos solitários, mesmo. A maioria de nós faz parte de redes sociais, com cinco mil teóricos amigos, que sequer leem a primeira linha de uma ideia, um desabafo, uma poesia, um conto. Essas tais redes, que nada têm de sociais, mais nos afastaram do que uniram, e nem sei dizer se isso foi ou não proposital. Vejo celebridades literárias que “nasceram” nas redes sociais, e fico pensando se isso realmente foi bom ou ruim.
Não quero parecer ultrapassado, velho, fora de moda, fora das diretrizes da comunidade, mas a verdade é que sempre prezei tanto as amizades, que acabei me limitando a poucos amigos. Alguns me chamam de seletivo, outros de chato, e ambos estão certos. Mas é fato que, como bom tagarela, que acha que tem muito o que falar, sinto falta de conversar. Nem que não seja ali, olho no olho, bafo no bafo. Mesmo que seja só por um áudio no WhatsApp… Dizem que sentimento de solidão é carência, vontade de audiência, e até falta de independência, e não sei o que é, mas não gosto da sensação… Da ideia da solidão. Às vezes digo que gosto, porque preciso escrever. Tem horas que falo que é bom, porque quero cagar. Tem momentos que aposto, que é bom estar solitário, mas é só quando estou no sanitário.
Imaginem como era o tempo, antes das tais redes sociais… Se não o viveu, tente imaginar. Se viveu, tente pensar… Pense em alguém, que um dia tem algo que é seu, e que foi decidido que é essencial, que todos precisam, querem, desejam, almejam… E sem o qual não podem viver… O que seria tal coisa? A água? O fogo? O ar? Ou seriam as modernas invenções essenciais, como a eletricidade? Imaginou-se sem estas coisas? Decerto. Mas, ainda é certo de que, nestes modernos tempos, não lamentaríamos a falta sequer do ar, mesmo que em segundos morrêssemos com a falta, nem as outras necessidades factuais. Ah, mas sim, morreríamos sem as tais… Redes sociais.
15/07/2024
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
