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Trapos, Dentes e Silêncios

Cada uma de nós tinha uma ferida similar, uma dor similar, uma tristeza similar, uma esperança similar. Reconhecíamo-nos a pele surrada do tempo, os olhos de desabafo, os esconderijos dos sonhos e dos segredos. Cada qual, carregava seu cheiro de desdém e nenhum nome de rosa.

Flageladas de amanhã, nunca sabem dormir direito.

Tínhamos os pelos usados por homens anônimos em todas as noites de escuro no céu, seus jorros malditos queimando a carne com blasfêmias e sementes pagãs, alguns, lhes plantaram bastardos de coito, no ventre de afeto estéril, que não lhe pertenciam.

Violadas nas noites de estrelas, não sabem amanhecer direito.

Éramos algo, pertencentes, objetos, carnes, prisioneiras, uma fonte de recurso aos aproveitadores das genitálias alheias, até que essas lhes rendessem glórias e nababescos jantares, até que essas lhes oferecessem o chão, o pó, e toda a dor de seus ossos.

Coisas de uso, são encerradas e enterradas depois da serventia, não sabem viver direito nem em noites de breu e amanheceres de sol.

Cada uma de nós tinha um medo similar, cada um de nós tinha um inferno similar, cada uma de nós tinha um fim similar. Reconhecíamo-nos nos trapos e nos dentes.

Mulheres das sinas de lida, não sabem rezar direito.

Morrem iguais.

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta, escritora… E, claro, Livre Pensadora!

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