Arte: BarataVerso

Uma Pequena História de Uma Grande Banda

A banda Patrulha do Espaço foi formada em 1977 por Arnaldo Baptista (ex-Mutantes). Ele trouxe da Argentina o baterista Rolando Castello Júnior, que havia acabado de lançar um disco com a banda Aeroblus e também tocara no primeiro disco do Made In Brazil. A formação inicial também incluía o baixista Oswaldo “Cokinho” Gennari e o guitarrista irlandês John Flavin, que havia atuado como guitarrista na banda de apoio dos Secos & Molhados. O nome original da banda era “Arnaldo e a Patrulha do Espaço”.

“Patrulha do Espaço” era o subtítulo da música instrumental “Honky Tonky” do disco “Lóki” de Arnaldo. A banda estreou no 1° Concerto Latino Americano de Rock, no Ginásio Ibirapuera em São Paulo, em 17 de Setembro de 1977, tornando-se uma das principais expressões do rock paulistano e brasileiro das décadas seguintes. Dessa fase inicial, ficaram os registros: “Faremos Uma Noitada Excelente” “Elo Perdido”, que só chegariam ao público dez anos depois. Logo após as primeiras apresentações, Dudu Chermont substituiu John Flavin na guitarra

Precisamente no dia 28 de Maio de 1978, Arnaldo Baptista deixou a banda, e Percy Weiss assumiu os vocais, com. A nova formação fez sua estreia no Ginásio de Esportes de Sorocaba (SP) em 8 de Julho de 1978.

Em 31 de Março de 1979, a banda realizou uma apresentação que conta com a participação de Percy Weiss e Walter Baillot (ex Joelho de Porco) num salão de Rock na Zona Lesta de São Paulo, e em 16 de Abril faz seu segundo e último show com essa formação, no Teatro Pixinguinha.

Anuncio do 1º Concerto Latino Americano de Rock

Em 1980, a Patrulha do Espaço lançou seu álbum de estreia autointitulado, conhecido como “Disco Preto”, o primeiro disco independente de rock do Brasil, contendo algumas das músicas mais conhecidas da banda, como “Arrepiado” e “Vamos Curtir Uma Juntos”.

A partir daí, a formação se consolidou como um power trio de hard rock com a entrada de Sergio Santana no lugar de Oswaldo Genari. Entre 1979 e 1985, a banda realizou centenas de shows e gravou três álbuns, incluindo canções como “Columbia”, “Festa do Rock” e “Não Tenha Medo”.

Em 1983, especificamente em 22 de Janeiro, a banda abriu para Van Halen em São Paulo, a pedido de Eddie Van Halen, em uma apresentação memorável. Em 1985, gravaram um EP com o lendário guitarrista argentino Norberto “Pappo” Napolitano (Pappo’s Blues, Riff e Aeroblus), intitulado “Patrulha 85”, que tem entre as musicas as que também seriam algumas das mais pedidas e tocadas em shows posteriormente, “Robot” e “Olho Animal”. O disco foi editado inclusive na Argentina.

Após um hiato durante o qual Rolando Castello Júnior se dedicou a outros projetos, incluindo a banda de Hard-Rock Inox, a banda retomou suas atividades em 1992 com o lançamento do álbum “Primus Inter Pares”, uma homenagem póstuma ao baixista Sergio Santana. No entanto, após esse álbum, a banda se retirou novamente da cena musical devido aos compromissos de Rolando com a produção de eventos culturais.

Ingresso do Show do Van Halen

Em 1997 e 1998, foram lançados os três primeiros volumes da série de compilações “Dossiê”, apresentando a obra da banda em formato CD. A banda voltou às atividades em 1999, com Rolando Castello Júnior se juntando a Luiz Domingues (baixo e voz, ex-Língua de Trapo, ex-A Chave do Sol e ex-Pitbulls on Crack), Rodrigo Hid (guitarra, voz e teclados) e Marcello Schevano (guitarra, voz, teclados e flauta, ambos ex-Sidharta).

Com essa nova formação, a banda renovou seu repertório com mais 15 músicas inéditas e mudou seu estilo, incorporando elementos de rock progressivo. O álbum “Chronophagia” foi lançado em 2000, recebendo muitos elogios da mídia.

Em 2001, a Patrulha do Espaço lançou o quarto volume da série Dossiê, onde a história da banda era contada com riqueza de detalhes num book ilustrado e assinado pelo baterista Rolando Castello Junior. Nesse volume, já constava o início da história dessa formação, com a inclusão de algumas músicas gravadas ao vivo dessa fase, como faixas bônus.

No ano de 2003, a banda lançou ”.ComPactO”, um EP com músicas inéditas. O título do álbum evocava a modernidade da era da internet (PontoCom), num trocadilho com a palavra “compacto”, aludindo ao velho formato dos compactos (singles) de vinil, dessa forma representando o passado. A capa tem o formato de um velho compacto de vinil.

Ingresso do Show na Tarkus

Em 2004, um novo álbum de inéditas foi lançado com o nome “Missão na Área 13”, numa alusão ao nome do estúdio onde o álbum foi gravado, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. No mesmo ano, entretanto, essa formação se desfaz, mas não sem antes gravar um álbum ao vivo em 2004, “Capturados Ao Vivo no Centro Cultural São Paulo”, que trouxe de volta suas raízes através de sonoridades das décadas de 1960 e 1970, com o hard rock, rock progressivo, psicodelia, acid rock, jazz-rock.

Durante 2009, a banda realizou uma nova turnê, se apresentando em festivais importantes como a Virada Cultural em São Paulo e o Goiânia Noise em Goiás. Após três anos tocando como trio, o guitarrista Marcelo Schevano e o baixista René Seabra deixaram a banda, com René falecendo em 2013.

Em 2011, contribuíram com uma música para a trilha sonora do documentário “Brasil Heavy Metal”. Com a entrada de Paulo Carvalho no baixo, iniciaram a Base Rock Tour 2011, percorrendo vários estados e lançando o álbum “Dormindo em Cama de Pregos” em 2012.

“Capturados Ao Vivo em Buenos Aires 2014”, foi o CD lançado naquele ano. Em 2017, anunciaram uma turnê de despedida, com a última apresentação em 3 de Novembro de 2018 no SESC Belenzinho, em São Paulo.

Mesmo após a turnê de despedida, e com formações diferentes, que incluíam a vocalista Marta Benévolo, esposa de Rolando, mas variando de guitarristas e baixistas, a banda continuou, não tão frequente em apresentações ao vivo, mas lançando material novo e a relançar antigos álbuns. Em 2020, lançaram a edição comemorativa de 40 anos do “Disco Preto” e, também o lançamento inédito em CD do disco “Primus Interpares”. No ano seguinte, foi a vez da edição comemorativa do “Segundo”, também conhecido como “Disco Branco”. Em 2020 e 2021, em função do Pandemia a Patrulha do Espaço praticamente não se apresentou em shows.

Ainda agora em 2024, a Patrulha do Espaço continua sua trajetória com o relançamento do disco de 2003, com nova arte e formato de capa e faixas bônus, que foi inclusive rebatizado como: “Compacto + Maioridade”, e ensejou nova turnê, que se iniciou no SESC Belenzinho em São Paulo, em 7 de Junho. Nesse, além da formação atual composta por Rolando Castello Junior na bateria, Marta Benévolo nos vocais, Marcello Schevano na guitarra e Fabio Cezar no baixo, contou, na segunda metade da apresentação, com a formação que gravou o disco: Rolando, Schevano e Rodrigo Hid nas guitarras, teclados e vocais, e Luiz Domingues no baixo, demonstrando que a Patrulha do Espaço ainda tem muito a oferecer ao cenário musical.

26/06/2024

Do Livro:
Patrulha do Espaço no Planeta Rock
Barata Cichetto
Prefácio: Rolando Castello Jr.
Gênero:  Ensaios/Crônicas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 206
Tamanho: 16 × 23 × 1,20 cm
Peso: 0,400

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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2 Comentários
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Luiz Domingues
17/08/2024 2:44

Sensacional o apanhado. A sua ligação com a Patrulha do Espaço é praticamente umbilical. Grato por essa cobertura tão ampla, emotiva e histórica, cuja a descrição já feita pelo Rolando tantas vezes, tem o mesmo peso do relato escrito por Pero Vaz de Caminha a bordo da nau de Pedro Alvares Cabral. No seu caso, foi a bordo da nave azulada através da galáxia Rock!

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