O medo dói, parece que o corpo todo escurece,
Necrosado, primeiro os órgãos e os tecidos,
depois a pele toda
Se prestando ao corte, à primeira amputação aparente.
Falta ar, os ossos passam a ter um peso difícil de carregar.
neste buraco, um canto frio demais, que nada aquece.
A floresta é densa, pegajosa, labiríntica,
e quanto mais tento fugir, mais ela me draga,
afoita, desejosa, cínica.
tenho todo o corpo submerso, comido por esse pântano.
Nenhum ar abranda a sensação de noite, de perda,
de que algo em mim está morrendo agora,
neste exato instante,
meus dedos dormentes, incapazes,
impotentes, para se agarrar em qualquer coisa que me dê
um pouco de algo, de uma poeira tola.
Sequer sei do que preciso
Já não tenho nenhum silêncio.
a paralisia que se espalha lentamente,
eliminando todos os focos de resistência,
talvez desistir, me doa menos.
Estou presa, emaranhada em uma boa teia
sou escrava dessa maldição,
esperando pelo salvamento
Não haverá salvamento.
Eu só morro.
O medo é um monstro de brancos dentes afiados.
Só me diga, quando posso dormir.
01\09\20