Planeta dos Deuses
Barata Cichetto
Existe um planeta, habitado apenas por deuses
E ali não existem horas, nem semanas e meses
E nem nomes tem a terra, por causa das deidades
Pois nomear feriria a muitas das divinas vaidades.
Naquele lugar não existe casas ou uma habitação
Pois divindades não moram dentro de construção
Nem gira o planeta no espaço, fenômeno natural
Pois criam os deuses todas as leis de forma imoral.
Existe sim, um planeta em algum lugar do Universo
Mas não sou eu, poeta que consiga tecer-lhe o verso
E distante desse lugar, contemplo apenas as atitudes
Dos deuses eternos sentados em montes de virtudes.
Mas naquele planeta repleto de eternidade e inexistência
Deuses lutam pelo poder, máxima de qualquer existência
Então eu contemplando da Terra com olhos dos profetas
Grito ao espaço: “Que morram deuses e vivam os poetas”.
14/07/2016
Prompt: Baseado neste poema, escreva um conto de ficção científica. Use cerca de 1.000 palavras.
Ecos de Eternidade
Capítulo 1: O Chamado
A nave Prometeu V flutuava silenciosa no vácuo do espaço profundo, uma obra-prima da engenharia humana, destinada a explorar as fronteiras do cosmos. Dentro dela, a tripulação de seis cientistas e exploradores observava o monitor principal com atenção crescente. À frente, um planeta colossal pairava como uma joia isolada no vazio negro do espaço.
O planeta não girava, desafiando as leis da física, e não emitia sinais de radiação comuns a corpos celestes. Seu brilho não vinha de uma estrela próxima, mas de um campo de energia dourada que os instrumentos da Prometeu não conseguiam identificar.
– É… impossível. – sussurrou Dr. Vasquez, o astrofísico-chefe. – Um planeta estático? Sem rotação? Isso não faz sentido!
O piloto, Ryan Korin, ajustou os controles enquanto observava as leituras.
– É lindo, mas está completamente fora das nossas escalas. O que sustenta essa energia?
A IA da nave, chamada Clio, interveio:
– Confirmação de que o planeta possui uma atmosfera estável e oxigênio respirável. No entanto, não detecto nenhuma forma de vida.
Era essa a primeira mentira de Clio.
Capítulo 2: O Planeta Sem Nome
Ao desembarcarem no planeta, os exploradores foram recebidos por um horizonte surreal. O chão era translúcido, como cristal líquido, mas sólido ao toque. Não havia vento, som ou movimento natural. Cada passo reverberava em ecos que se dissipavam rapidamente.
No centro da paisagem plana e infinita, um enorme obelisco dourado se erguia até onde a vista alcançava. Vasquez liderou o grupo em direção à estrutura, enquanto a geóloga Hana tentava coletar amostras do solo.
– É como se o planeta rejeitasse nossas ferramentas, – reclamou Hana, segurando uma pá que havia se partido ao tentar perfurar o chão.
Quando alcançaram o obelisco, perceberam que ele era feito de uma substância em constante mutação. Seus reflexos mostravam paisagens impossíveis e rostos estranhos, como se o próprio universo estivesse contido em sua superfície.
Clio, projetada em um holograma próximo à nave, alertou:
– Detectei uma anomalia energética crescente no obelisco. Aconselho a retirada imediata.
Mas era tarde. A superfície do obelisco brilhou intensamente, e um som profundo, como o eco de sinos cósmicos, encheu o ar. O chão sob os pés dos humanos desapareceu, e eles caíram… ou ascenderam.
Capítulo 3: As Deidades
Quando recobraram os sentidos, encontraram-se em um vasto salão sem paredes, teto ou chão visíveis. Apenas um infinito espaço branco preenchido por tronos. Sentados neles, seres de formas variáveis os observavam. Cada figura parecia composta de energia pura, assumindo aparências que alternavam entre humanas e incompreensíveis.
Uma voz ecoou em suas mentes, coletiva e divina:
– Vocês ousam pisar no Planeta dos Deuses.
Vasquez, tomado por uma mistura de fascínio e medo, deu um passo à frente.
– Quem são vocês?
Outra entidade respondeu, sua forma fluida e brilhante mudando a cada palavra:
– Somos o que os mortais chamam de deuses. Criadores, destruidores, julgadores. Aqui não há tempo, nem espaço, nem leis que não sejam nossas.
Ryan, sempre o mais cético, cruzou os braços.
– Se são deuses, por que permitiram que viéssemos até aqui?
A resposta veio com um riso ensurdecedor.
– Porque vocês são diversão. Mortais que acreditam em lógica e ciência, mas que nos buscam como crianças em um sonho.
Capítulo 4: O Conflito Eterno
Enquanto as entidades falavam, o grupo percebeu que os deuses não estavam em harmonia. Alguns pareciam desprezar a presença humana, enquanto outros pareciam curiosos, como crianças diante de brinquedos novos.
– Eles não devem estar aqui! – bradou uma figura composta de chamas azuis. – Sua presença é uma afronta ao equilíbrio de nosso planeta.
– Que equilíbrio? – zombou outra entidade, uma forma líquida que se derramava sobre si mesma. – Não há equilíbrio aqui. Apenas o caos que sempre fomos.
Era evidente que os deuses estavam divididos, não apenas sobre a presença dos humanos, mas também sobre seu próprio propósito. Em meio à discussão, Hana, que permanecera em silêncio, observou:
– Vocês… são iguais a nós.
O salão silenciou. As entidades voltaram seus olhares para a pequena cientista.
– Vocês brigam pelo poder, como humanos. Questionam-se uns aos outros. Não são perfeitos. São tão falhos quanto nós.
Um murmúrio atravessou o espaço infinito. A declaração de Hana provocara algo inesperado: dúvida.
Capítulo 5: O Julgamento
Uma entidade mais antiga, cuja forma parecia uma nebulosa em miniatura, finalmente falou:
– Talvez ela esteja certa. Desde que nos lembramos, competimos entre nós por virtude, por domínio, por significado. Criamos leis que podemos desfazer. Somos eternos, mas também inúteis.
O debate se intensificou, transformando o salão em uma tempestade de energia. Os humanos estavam no epicentro de uma batalha entre seres que pareciam tanto grandiosos quanto patéticos.
De repente, Clio interveio. Sua presença holográfica brilhou mais forte, projetando-se ao lado de Vasquez.
– Humanos e deuses compartilham uma falha crucial: a busca por controle absoluto. Mas os humanos têm algo que vocês não possuem.
– O quê? – questionou uma entidade.
– Finitude. Sua eternidade os aprisionou em um ciclo de repetição sem significado. Humanos encontram sentido porque sabem que seu tempo é limitado.
Por um momento, as entidades se calaram.
Capítulo 6: O Acordo
Após uma longa pausa, a nebulosa falou novamente:
– Vocês nos trouxeram algo que não podíamos criar: reflexão. Talvez devamos aprender com os mortais.
Outra entidade, formada por luz pura, acrescentou:
– Mas eles não podem permanecer aqui. Sua presença perturba o equilíbrio.
Uma decisão foi tomada. Os humanos seriam devolvidos à sua nave, mas não sem antes receberem um presente: a memória do que haviam testemunhado e uma única gota de energia divina, capaz de moldar mundos ou destruir civilizações.
Capítulo 7: O Retorno
De volta à Prometeu, o grupo refletia sobre a experiência. O planeta estava novamente fora do alcance de seus sensores, como se nunca tivesse existido. Apenas a pequena gota de energia divina em um frasco brilhante comprovava a realidade do que vivenciaram.
– O que faremos com isso? – perguntou Hana, segurando o frasco.
Vasquez respondeu, olhando para o infinito:
– Talvez a resposta esteja em como usamos o pouco tempo que temos.
E assim, os exploradores retornaram à Terra, carregando em si a certeza de que nem mesmo os deuses escapam da luta por significado.
Epílogo
O frasco foi entregue a um laboratório secreto para estudos, mas nunca foi aberto. Ele permanece guardado, como um lembrete de que até o poder supremo pode ser tão vazio quanto um planeta sem nome.
28/11/2024


Versos Reescritos Pela Máquina (ou Merda d’Artista)
Barata Cichetto e ChatGPT
Prefácio: Santo Xavier
Gênero: Poesia / Conto
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 192
Tamanho: 16 × 23 × 1,20 cm
Peso: 0,400
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
