Imagem Criada Com Auxílio de IA (ChatGPT)

O Homem Que Escrevia Buracos na Terra

1.

Camisa tantas vezes molhada, enxada na mão, pá ou alvião, e seca outras tantas, pelo sol em cheio nela, e o dia inteiro, o homem, e ao mesmo tempo, escrevia buracos na terra, onde plantava árvores e lembranças, que depois regava, e cartas de amor para ti no chão.

2.

Bati à porta de ti, queria beijar-te e, quando te vi, as palavras fugiram, o silêncio entrou, apagou-se a luz, perdi a lembrança. Que dia seria? Seria de noite? Onde estaria? Vou plantar aqui uma romãzeira, bela como tu. Tu serás o tronco, os braços e os abraços, onde adormecem alegres os sonhos

3.

Perdi a memória. Esqueci-me de tudo. Mas isso que importa? Tu estavas comigo. Abriste-me a porta, deste-me a mão, deixaste-me entrar de mansinho. Tão completamente feliz, então. Vou plantar aqui uma macieira e uma videira. Tu serás as flores, a polpa e o fruto, saboroso, macio e maduro.

4.

Porque tu és as palavras, o silêncio e a luz, que na minha vida. E porque tu és o meu amor que brilha. Deixaste-me entrar no teu paraíso, e deste-me um beijo. Depois só me lembro do olor a maçãs que tinhas no corpo, do sabor a romã agridoce que se abre na boca, e do cacho o mosto das uvas tão doce

5.

Camisa tantas vezes molhada, enxada na mão, pá ou alvião, e seca outras tantas, pelo sol em cheio nela, e o dia inteiro, o homem, e ao mesmo tempo, escrevia buracos na terra, onde plantava árvores e lembranças, que depois regava, e cartas de amor, para ti, no chão.

António Mota nasceu Portela das Cabras, Vila Verde, Braga, (Portugal). Estudou nos Estados Unidos da América e e frequentou a Faculdade de Direito em Coimbra. É poeta, escritor e Livre Pensador.

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