Zé Gatão – Revisitando o Passado:
Parte 1 – Amigos, Amigos, Porradas à Parte
– Esta aventura se passa pouco tempo depois de Pão e Circo.
Era um fim de tarde, quando cheguei à cidadezinha onde havia morado por um tempo com minha saudosa mãe. Nunca pensei que um dia fosse voltar a pisar naquelas ruas familiares de minha juventude. Antes de procurar um local para me instalar, fui até o Correio mais próximo passar um telegrama para Cora. Era o mínimo que poderia fazer depois de ter partido e jogado água fria nos planos daquela gata impetuosa! Fiquei imaginando a reação dela quando recebesse meu telegrama! A princípio ela o amassaria e jogaria no chão em um acesso de raiva! Depois o pegaria com vagar, o desamassaria e leria minhas curtas palavras. No texto não haveria pedido de desculpas ou explicações! Só revelaria que eu estava vivo e bem. Ela então soltaria uma risada argentina e pensaria em mim com o carinho em que estou pensando nela agora. A gente brigava, mas se entendia. Feito isto, saí à rua. Ainda carregava boa parte do dinheiro que ganhara lutando na arena de Scrofa! Portanto, resolvi me hospedar em um hotel melhorzinho no centro da cidade e comer bem, também! Ora, e por que não? Normalmente, eu estou sempre duro!
Pernoitando sempre em pocilgas e comendo uma comida merda! Afinal ralei muito pela grana que ganhei! Mereço dar uma de “bacana meia boca”, pra variar! Assim pensando, pedi informação a uma gorda leitoa que passou por mim acompanhada de cinco untuosos bacorinhos com jeito de idiotas! Informação recebida e não demorei a achar o tal hotel! Gostei da aparência tanto externa quanto interna. O recepcionista era um gavião com ares de malandro. Uma guimba de cigarro acesa, pendendo do bico. Me tratou como se eu fosse da família dele. Fui lacônico. Assinei minha entrada no local e o sem noção ainda quis puxar papo.
Tratei de escapulir para o elevador que me conduziria ao 4o andar. Atrás de mim, um jovem macaco prego feio pra caramba que fez questão de me carregar a mochila. Dei uma gorjeta razoável ao símio, após este depositar a mochila aos pés da grande cama de casal. O molecote saiu todo satisfeito da vida, assoviando. Naquela noite ia por certo sair com a namorada para tomar sorvete na praça! Tranquei bem a porta, soltei os cabelos, entrei no banheiro, deleitando-me com um bom e relaxante banho quente. Depois, me deitei satisfeito entre lençóis limpos. Colchão bem macio. Dormi o pesado sono dos justos!
O amanhecer trouxe um quente e ensolarado dia. Fui um dos primeiros hóspedes a sair do elevador e a passar pela recepção, em direção ao salão, onde um lauto e variado bufê me esperava. O gavião recepcionista saudou-me acaloradamente. Retribuí com um breve aceno de cabeça e até o achei no fundo, mais simpático do que antes. Devia ser meu bom humor matutino, quem sabe? Comi fartamente. Terminado o desjejum, subi ao quarto para a higiene pessoal. Momentos mais tarde, ao deixar a chave do mesmo na recepção, o gavião a recebeu e sorridente deu-me um prospecto, o qual anunciava um evento de proporções épicas, segundo aquele avejão que mais parecia um papagaio do que um rapinante. Agradeci laconicamente, mas um pouco mais paciente em relação a ontem. Enfiei o papel no bolso sem ler e ganhei a rua, aspirando com prazer o ar fresco da manhã!
A cidade pouco havia mudado. Aquela área estava um pouco mais moderna. O meu hotel mesmo havia passado por uma boa reforma e provavelmente havia mudado de dono. No meu tempo de rapaz não passava de um pardieiro! Andei ao léu por um bom tempo, admirando o ambiente à minha volta, recordando com uma vaga nostalgia. Encalorado, parei em um bar para tomar uma gelada. Ainda bem que estava com o cabelo preso no comezinho rabo de cavalo, reduzindo desta forma, a sensação de calor. Bebi com lento prazer a álgida cerveja! Neste ínterim, aproveitei para dar uma vista d’olhos no tal prospecto. Este propagandeava uma luta que ia acontecer dali a uma hora próxima ao coreto da praça. O campeão dos campeões de luta de rua ia escolher um adversário aleatório na multidão! Quem o derrotasse ganharia uma recompensa nada desprezível em dinheiro. Fiquei curioso. O tal campeão era um galo carijó. Então me lembrei do meu amigo dos tempos de rapazote, um galinho carijó enfezado e criador de caso. Trabalhamos juntos na loja de fotografias do galo velho, pai dele. O campeão poderia ser ele!
Parte 2 – Amigos, Amigos, Porradas à Parte
Ainda era cedo. Paguei a bebida e saí em direção ao pequeno templo evangélico, aonde eu ia com mamãe ao culto, todos os domingos. Entrei compungido e silenciosamente no santuário que tantas boas lembranças me traziam. Imaginei ver o pastor Flávio com seu sorriso benevolente. Era um pastor bovino grande e bonachão. Pensei: Sempre pronto a ouvir as mazelas do jovem Zé Gatão e o aconselhar. Já devia estar morto, pois era idoso naquele tempo. Deixei o templo sentindo uma indefinível tristeza! Bem, se aproximava a hora da tal performance! Era melhor ir indo!
A praça estava apinhada. Resolvi me empoleirar em uma árvore, na qual já se achavam alguns felinos e umas aves. Alguns daqueles palermas reclamaram, mas não fiz caso deles. Agilmente, escalei os galhos. Pisei na mão de um gatarrão gorducho que não quis me dar passagem! O pulha protestou grosseiramente e tive vontade de jogá-lo lá embaixo! Mas resolvi não perder tempo com aquela espécie de ignaro! De meu lugar privilegiado podia ver bem o ringue. A turba abaixo ululava! O alarido aumentou quando o galo carijó subiu ao tablado! Musculoso, espadaúdo, ainda que atarracado! Era ele mesmo! A mesma expressão de insolência! Piorada, até! Em uma voz roufenha de galináceo, se auto promoveu e clamou por um desafiante. Um quadrático canino assomou! Um massa bruta! Cachorro de rua, coberto por andrajos! Fedorento! Cuspiu displicentemente o toco de charuto vagabundo que pitava na beiçola caída! E mal educadamente foi afastando o povaréu de seu caminho! Subiu ao ringue! Era um verdadeiro gigante! O carijó o olhou com desdém! Cada um ficou num canto do ringue! Uma galinha barriguda tocou o gongo e os contendores rodaram pelo acanhado espaço, se estudando atentamente! Os olhos dos lutadores dardejavam, acompanhando os movimentos um do outro! De repente, o gigante canino mandou um murro poderoso contra a cabeça de seu adversário, atingindo o vazio! Ato contínuo, o carijó depositou um soco pesado no baixo-ventre do cão fazendo este se curvar de dor, acusando o impacto brutal! O grunhido sufocado foi interrompido por um uppercut seco que arrancou aquela criatura do chão, lançando-a para trás! O galo acompanhou o movimento e massageou a cara do brutamonte com uma sequência de socos certeiros que transformou aquela cara numa empada de carne amassada e sanguinolenta. O grandalhão desabou! O carijó poderia ter finalizado ali! Mas pelo visto, queria castigar mais seu desafiante, pois recuou um passo atrás e deixou o cachorro recuperar-se. Este balançou a cabeçorra, tentando clarear as ideias! Ergueu-se com dificuldade. Foi então que o galo saltou e passou o esporão na face daquele desgraçado, rasgando profundamente a carne até atingir o olho esquerdo! O uivo que escapou da goela do gigante andrajoso foi de cortar o coração! A sangueira espirrou profusa e sem dó, “o galinho” desabou sobre sua vítima descendo a porrada! Forte! Violento e sem piedade! Só parou de malhar aquele trapo que tinha debaixo de si, após vários toques plangentes do gongo salvador! Uma ambulância foi chamada para retirar a carcaça inerme do canzarrão! A audiência bramia de êxtase!
Neste instante, o vitorioso me viu no alto da árvore e seu grito rouco, típico dos galiformes se fez ouvir:
— Você aí, na árvore! É! Você mesmo, cinzento! Eu te desafio! Desça para apanhar!
Parte 3 – Amigos, Amigos, Porradas à Parte
Lancei-me do galho onde estava em um salto acrobático, girando o corpo em espiral com as pernas encolhidas, passei por cima da multidão extasiada e aterrissei elegantemente no meio do ringue. O galo avançou em minha direção com os punhos cerrados em posição de ataque. Então como que por encanto, sua expressão facial endurecida mudou e um olhar de reconhecimento, seguido de um sorriso amplo, o fez estender os braços, dizendo:
— Zé Gatão! Diacho! É você mesmo? Rapaz! Não tinha te reconhecido! Cê tá grande pra caramba, amigo velho! – O galo carijó estreitou-me num forte abraço. Sorri pra ele e encarei o rosto de um velho e querido amigo! O populacho começou a nos vaiar, mas nem os ouvíamos. Lembrei-me do nome do amigo. Renato, o galinho carijó! Era agora um adulto fortalecido por anos de luta! Ignorando a balbúrdia em volta de nós, Renato disse que ele ainda precisava rachar umas cacholas por mais algum tempo. Combinamos de sair para jantar em um bom restaurante naquela noite. Nos despedimos e ele voltou a chamar adversários com seu ar insolente. Saí do ringue debaixo de olhares espantados e resolvi almoçar um sanduba em uma barraquinha perto do coreto da praça. Comi sem pressa e depois fui passear nos arredores. Do meio pro fim da tarde retornei ao meu hotel para banhar-me e descansar um pouco.
Por volta de sete horas da noite, Renato veio encontrar-me no saguão do hotel. Sendo a cidade pequena e tudo perto, fomos a pé mesmo até o melhor restaurante do lugar. Pedimos uma boa refeição. Para beber, um canecão de cerveja para mim e para o carijó um copázio de suco de laranja fresca. A comida sintética estava saborosa. Mas só era assim em bons restaurantes. Enquanto comíamos, relembrávamos o passado. Naturalmente, o galinho era bem mais falante e dado a gargalhadas do que eu, de temperamento mais circunspecto. No entanto, estava feliz com aquele reencontro.
Durante a sobremesa, um alentado manjar branco com ameixas-pretas em volta, o semblante e a voz de Renato ficaram mais sérios. Me disse que havia acompanhado por suas fontes na área de Esportes, notícias de minhas lutas nas grandes arenas de Scrofa, o megaempresário suídeo do ramo de lutas. Contou-me que ele, Renato, era um medíocre lutador de rua. Ganhava a vida desafiando contendores pelas cidadezinhas do interior. Aí, pensou: Se enfrentasse um lutador famoso, tendo a luta filmada, seus ganhos e importância aumentariam exponencialmente, podendo levá-lo a um dia lutar nas grandes arenas do norte! Ficaria rico! E dividiria tudo com o amigão felino se este topasse encará-lo no ringue amanhã! Um vale tudo na grossa! Sem encenações!
Olhei detidamente para o meu velho chapa e disse não! Na arena de Scrofa, eu lutara contra total desconhecidos. Não passara de negócios. Ao final, eu largara de mão por não concordar com aquela sistemática perversa! Asseverei que não gostava e não queria ser nunca mais um lutador profissional! Além disso, não tinha sentido um combate nos moldes que Renato queria! Não entre amigos!
O galinho fechou a cara e objetou, dizendo que seria pela amizade! Eu era famoso e endinheirado! Agora era a vez dele! Não era hora de sacanear um velho amigo por conta de estúpidos princípios! Disse ainda que eu era cheio de pruridos! Sempre fora! Vi que era inútil tentar convencê-lo! Ainda assim, fui firme em minha decisão! Afirmei de quebra que amanhã cedo estava deixando a cidade! Renato suplicou para que eu não o fizesse! Pediu ao menos que eu fosse assistir sua última luta amanhã. Não tocaria mais naquele assunto se isso me desagradava! Não queria perder uma grande amizade por tão pouco!
Ao fim do jantar, nos despedimos. Senti que ficou um ranço, apesar da cordialidade na voz do velho companheiro de juventude. Não sou tolo! Alguma coisa tinha quebrado ali! Poderia ter partido sem avisar, bem cedo. Porém, não era do meu feitio! Estaria na praça amanhã na hora marcada. Algo me dizia que eu me arrependeria!
A praça estava lotada. Desta vez, não quis subir em árvore alguma! Estava me sentindo desconfortável, em meio aquela súcia sedenta de sangue! Renato subiu ao ringue. Ia enfrentar um outro galo bem parrudo com cara de maus bofes. O combate foi rápido! Embora de maior porte, o adversário de Renato não era páreo para ele! Meia dúzia de socos rápidos, deixaram o desafortunado semiconsciente no chão do ringue! Foi então que se deu o inesperado! Renato gritou que se eu não o enfrentasse agora, ele ia cortar o pescoço do galináceo caído a golpes de esporão! Surpresa e ira me tomaram! Ainda assim, me aproximei das cordas a custo para tentar sem sucesso, demovê-lo daquela loucura! Subi ao ringue e apelei para nossa antiga amizade. Renato retrucou que não era mais meu amigo! Um verdadeiro amigo não negaria ajuda! Para ele eu não passava de um egoísta, covarde! Droga! Eu poderia ter descido do ringue e partido! Mas comecei a achar que o galinho merecia uma lição de humildade! De mais a mais, com este tipo de postura ele não duraria um segundo contra lutadores profissionais das grandes arenas! Seria morto! Precisava acordar o ex-amigo daquela ilusão e nada melhor que uns bons sopapos para curar uma cabeça dura! A determinação do meu olhar o alegrou! Nos medimos por alguns segundos e ele partiu pra cima de mim!
Parte 4 – Amigos, Amigos, Porradas à Parte
Por sorte, o galo grande abatido por Renato foi tirado do quadrilátero, caso contrário o galo Renato teria pisado na cabeça dele, tamanha sua fúria e desejo de bater-se contra aquele que uma vez chamara de amigo. Enquanto avançava, Renato lançou uma série de socos, visando atingir repetidamente meu plexo solar, o que se daria se eu não tivesse me desviado para o lado. Ato contínuo, dei um tapinha na parte detrás do pescoço do galinho, tirando-lhe o equilíbrio! Mas ele era safo! Caiu, rolando para o canto do ringue, para logo se levantar espumando com sangue nos olhos, cacarejando alto:
– Cê tá debochando de mim?! Vou te matar, desgraçado! Vou te picar em pedaços!
Naquele momento tive a certeza de que meu antigo amigo de alegrias e folguedos não existia mais! Pois bem, não ia mais tratar este cretino com brandura! Vou mostrar a ele como se luta profissionalmente!
Assim, eu ataquei com um chute poderoso bem no meio do peito de Renato! A pancada o atirou nas cordas e ele só não caiu fora do ringue devido às mesmas! Fiquei no centro do tablado e o chamei fazendo cara de deboche! O carijó arfante pela porrada no peitoral deu um grito inarticulado e se atirou sobre mim, chutando e socando forte, visando meu ventre ou meu saco! Tolo! Evitei-o facilmente e apliquei vários jabs curtos em seu bico, procurando desnortear, magoar aquela sensível área de sua anatomia! O sangue brotava das fossas nasais e da boca! Sem dar tempo para que meu adversário se aprumasse dei um murro fortíssimo em sua face direita, jogando-o violentamente no chão! Estonteado, Renato não conseguiu evitar que eu o agarrasse brutalmente! Ergui-o acima de minha cabeça e o atirei como a um saco de batatas na assistência uivante!
Furiosamente, o carijó se desvencilhou do delirante povaréu que ovacionava o melhor combate por ele já visto! Renato subiu de volta ao ringue, trêmulo! Face distorcida de uma palidez mortal! Ergueu o peito, parecendo medir a distância que nos separava! Repentinamente saltou! O esporão à vista! Ah, não! Comigo não, violão! Me abaixei e num rápido movimento colhi-o pela área ventral, entre a cloaca e a bunda, apertando com toda a força de meus dedos, enquanto enterrava minhas garras naquela carne macia, através de seu calção de boxe! O bramido que escapou de sua garganta foi pungente, dorido, inominável! Completando o movimento, joguei-o de cara na lona! Virei-o pra mim e o castiguei, dando em seu rosto pesados e repetidos tapas, como se quisesse virá-lo pelo avesso! Quando ergui a mão para vibrar mais um tapa ele me virou seu rosto arrebentado e num cicio, pediu: Chega, por favor! Não me bata mais…!
No fim da tarde, abandonei a cidade para sempre. No peito uma opressão profunda! Na boca, o gosto acre do fel da tristeza e da decepção! Quisera não ter voltado para aquele lugar! Melhor seria nunca ter encontrado de novo o galinho carijó! Antes ter guardado na memória o que havia sido e não o que era agora! Caminhei pisando forte, tentando tirar de minhas botas a poeira daquela pequena urbe que de feliz recordação, se tornou mais um espinho dos tantos que eu tinha a aguilhoar o coração!
31/03/2020
Originalmente Publicado em:
https://eduardoschloesser.blogspot.com/2020/04/amigos-amigos-porradas-parte-um-conto.html



Do Livro:
ZéGatãoVerso – Contos de Luca Fiuza Ilustrados por Eduardo Schloesser
Texto: Luca Fiuza
Criação do Personagem e Ilustrações: Eduardo Schloesser
Apresentação e Edição: Barata Cichetto
Gênero: Contos/Quadrinhos
Ano: 2024
Edição: 2ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 312
Tamanho: 16 × 23 × 1,80 cm
Peso: 0,500
Luca Fiuza é professor de História, quadrinista e escritor. Um Livre Pensador.
Eduardo Schloesser, Jaboatão dos Guararapes, PE. é desenhista, quadrinista, ilustrador e escritor, criador, entre outros, de Zé Gatão. Também é o ilustrador de A Vida e os Amores de Edgar Allan Poe. Livre Pensador.





















Me diverti muito com esse conto magistralmente escrito. Vagabundo sem-vergonha tem mais é que levar porrada mesmo.
Gostei de sua observação, Ed! O galo Renato é daqueles caras abusados e que se acham. Apesar de ser um lutador forte e muito traiçoeiro, não chega nem aos pés do Gatão em destreza, habilidade e força física! Levou o que merecia! O felino saiu da história bem desiludido, mas creio que logo esqueceu aquele amigo de araque!
Pra ser bem honesto nunca fui muito com a cara desse galinho encrenqueiro; ele sempre me lembrou um menino que era um “amigo” na quinta série. Era metido a valente e sempre apanhava de todo mundo. Me meti em algumas frias por causa dele.
Nunca achei que o Renato fosse amigo do Zé Gatão, ao rever o antigo conhecido o que ele viu foi uma oportunidade, a frustração trouxe à tona a inveja que ele sempre sentira do Felino. É a minha análise. Ainda bem que o gato gris não facilitou para ele. Conto muito bem escrito, como sempre.
Achei relevante este seu comentário. Zé Gatão, como muitos de nós cometeu um erro de julgamento. Pensou que aquele companheiro de juventude fosse o mesmo amigo de antes. Como você bem colocou, pode nunca ter sido um verdadeiro amigo. Só um invejoso que tentou depois ser oportunista. O Gatão tentou ainda proteger o prepotente, do mundo brutal das arenas! O galo podia até lutar bem se comparado aos infelizes que ele espancava! Porém, não seria páreo frente a um lutador profissional! Aprendeu isto da pior maneira! Surra merecida! Também nunca gostei daquele galo cheio de empáfia!
Este conto foi uma proposta de revisitar o passado do Gatão, onde ele reencontra um velho amigo das antigas! O enredo sugere reflexão. O que sustenta uma amizade? Como é de fato esta relação? Até onde se pode ir dentro dela? Há limites? Se ultrapassados? Quais as consequências? Ao escrever, naturalmente não me fiz estes questionamentos. Nem era o caso. Ao reler ontem, comecei a pensar nisto. Talvez tenha faltado diálogo entre os dois amigos. A distância, o tempo, as fortes convicções de cada um, também contribuíram para o desfecho da trama. É o meu entendimento. Não é a única análise a ser feita. Concordam?