Condenado sem crime, demônio sem pecado, prisioneiro por desejo
Na cela dei um chute, no carcereiro um tiro e na liberdade um beijo
Castigo sem crime, julgado num tribunal surdo, jurados comprados
– Prisioneiros guardem silêncio nas celas alaranjadas dos sobrados!
Promotores sem togas, juízes corrompidos, um tribunal de exceção
Culpado em lugar de vítima e vítimas são frutos diários da recessão
Ao bater do martelo, grades cerradas, cachorros ladrando no portal
Carcereiros batendo nas grades e o guarda cego dando salto mortal.
Dentro de uma prisão, é preciso comer a dor diariamente, alimentar
Igual a uma criança, dar carinho, engordar suas carnes e amamentar
Porque a dor é o que nos coloca a caminho da porta de saída, afinal
Sem a dor não existe desejo, sem o querer não existe o motivo final.
Fui dado por mim mesmo como morto, a prisão enrijece os músculos
Agora nem consigo encontrar o caminho até mim, gestos minúsculos
Mas quando abriu com estardalhaço a porta de aço, o crime prescrito
Jurei rasgar as baladas que a meu próprio carcereiro eu tinha escrito.
10/10/2009


Memórias Arrependidas de Um Poeta Sem Pudor
(Antologia Poética, de 1978 a 2025)
Barata Cichetto
Gênero: Poesia
Ano: 2025
Edição: 4ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 876
Impressão: Papel Pólen 80g
Capa: Dura
Tamanho: 16 × 23 × 5,2 cm
Peso: 1,50
Brindes Incluídos:
2 Marca-páginas da BarataVerso;
1 Marca-página BarataVerso em Couro;
2 Adesivos do BarataVerso;
1 Sobrecapa
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.




















