Censura nunca acaba para aqueles que vivenciaram a experiência. É uma marca no imaginário que afeta o indivíduo que sofreu. É para sempre.
— Noam Chomsky 1928
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As Cinzas da Liberdade: A História da Queima de Livros
Desde os primórdios da humanidade, o fogo tem sido um símbolo de poder e purificação, mas também de destruição. Ao longo da história, a queima de livros tornou-se um ato simbólico de censura e opressão, utilizado por regimes autoritários e grupos que buscam impor uma ideologia dominante. Essa prática bárbara, que outrora envolvia chamas literais, hoje se manifesta em formas mais sutis e tecnológicas. A liberdade, que deveria ser nosso direito mais sagrado, tem sido repetidamente atacada através da destruição de ideias.
A queima de livros tem raízes profundas na história. Um dos primeiros registros conhecidos vem da China antiga, durante o reinado do imperador Qin Shi Huang, por volta de 213 a.C. Ele ordenou a queima de centenas de livros e a execução de acadêmicos confucionistas para consolidar seu poder e eliminar ideias que pudessem desafiar sua autoridade. A destruição da biblioteca de Alexandria, um dos maiores repositórios de conhecimento da antiguidade, é outro exemplo trágico, embora envolva mais a guerra e negligência do que uma queima deliberada.
Na Idade Média, a Inquisição Católica promoveu a queima de livros heréticos, tentando assim suprimir ideias contrárias à doutrina da Igreja. O Index Librorum Prohibitorum listava livros proibidos para leitura pelos fiéis, muitos dos quais foram queimados em praças públicas. A queima de livros durante a Alemanha Nazista, em 1933, é talvez um dos exemplos mais icônicos e devastadores. Obras de autores como Einstein, Freud, e Marx foram lançadas às chamas, numa tentativa de purificar a cultura alemã de influências “degeneradas”.
Mas não é apenas a história antiga que está repleta de tais atrocidades. Em tempos mais recentes, regimes totalitários como o de Pinochet no Chile, Mao Tsé-Tung na China e o Talibã no Afeganistão têm usado a queima de livros para eliminar pensamentos que ameaçam seu controle. Em 1973, após o golpe militar no Chile, livros de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez foram queimados nas ruas de Santiago. Na Revolução Cultural Chinesa, milhões de livros foram destruídos como parte do esforço de Mao para erradicar o “pensamento burguês”.
Na era digital, a queima de livros assumiu novas formas. Não precisamos mais de piras flamejantes para destruir ideias; um simples clique pode ter o mesmo efeito devastador. A censura digital, muitas vezes disfarçada de “moderação de conteúdo” ou “combate à desinformação”, elimina vozes dissidentes com a mesma eficácia das chamas. O caso de Julian Assange e o Wikileaks, onde informações cruciais foram suprimidas e seu autor perseguido, é um exemplo claro de como o controle da informação continua a ser uma ferramenta poderosa de repressão.
A liberdade não é apenas um direito; é um dever. Um dever que nos foi legado por aqueles que lutaram e morreram para garantir que pudéssemos pensar, falar e escrever livremente. A queima de livros, seja literal ou virtual, é um crime contra a humanidade, pois destrói a essência do que nos torna humanos: nossa capacidade de questionar, aprender e evoluir.
A destruição de ideias é irreversível. Rasgar um livro permite a possibilidade de colar as páginas; proibir um livro pode levar à sua memorização; mas queimar um livro ou excluir um conteúdo digital é eliminar permanentemente um pensamento ou uma ideia. A história está repleta de exemplos onde a queima de livros resultou na perda de conhecimento e cultura. Hoje, nossos pensamentos e ideias estão nas redes neurais de computadores; um decreto para apagá-los ou um clique para deletá-los pode ser ainda mais devastador.
A censura moderna, com suas técnicas sofisticadas de controle e supressão, é tão perigosa quanto a queima de livros dos tempos passados. As plataformas de mídia social, os governos e até mesmo grupos ativistas têm o poder de silenciar vozes com um simples ato de “cancelamento”. Essa forma de censura não só impede a livre expressão, mas também cria um ambiente de medo e autocensura, onde as pessoas hesitam em compartilhar suas ideias por medo de represálias.
Devemos resistir a todas as formas de censura, sejam elas antigas ou modernas. A liberdade de expressão é a pedra angular de uma sociedade livre e justa. Devemos proteger e promover a diversidade de pensamento, mesmo quando essas ideias desafiam o status quo. Porque, no final, a liberdade não é apenas um direito concedido; é um dever que devemos cumprir para garantir que as gerações futuras possam viver em um mundo onde as ideias são celebradas, não queimadas.
Barata Cichetto, 07/07/2024
Utilizei a IA do Chat GPT para gerar os conceitos sobre queima de livros e uma lista simplificada da história da queima de livros na história, e para a revisão ortográfica.
Queima de Livros
• Censura e Controle Ideológico: A queima de livros frequentemente acompanha períodos de intensa censura, onde certos conteúdos são considerados perigosos ou subversivos pelo regime dominante. Isso pode incluir livros que desafiam a ideologia política, cultural ou religiosa vigente.
• Impacto Cultural: A destruição de livros pode resultar em perdas irreparáveis para o patrimônio cultural e intelectual da humanidade. Exemplos como a destruição da biblioteca de Bagdá durante a invasão mongol em 1258 ou as queimas promovidas pela Alemanha Nazista são casos onde obras valiosas foram perdidas para sempre.
• Simbolismo de Opressão: Além da perda material, a queima de livros serve como um símbolo poderoso de um regime que busca silenciar dissidências e impor um pensamento único. Na Alemanha Nazista, por exemplo, as queimas públicas de livros foram eventos propagandísticos destinados a consolidar o controle ideológico e a repressão.
• Desprezo e Controvérsia: Em alguns casos, a queima de livros não apenas censura o conteúdo, mas também expressa um desprezo deliberado pelo autor ou pelas ideias que o livro representa. Isso pode ocorrer em contextos políticos, religiosos ou culturais onde certas obras são vistas como ameaças aos valores dominantes.
• Paralelos com a Queima de Arte: A queima de livros muitas vezes é relacionada à destruição de objetos de arte, pois ambos são vistos como formas de expressão cultural que podem desafiar o status quo e, portanto, são alvo de repressão.
Alguns dos eventos de queimas de livros através da História:
- No Reino de Judá
De acordo com o Tanach, no século VII a.C., o rei Joaquim de Judá queimou um trecho de um manuscrito que havia sido ditado pelo profeta Jeremias a Baruch ben Neriah.
- Na China
Na dinastia Qin, entre 213 e 206 a.C., livros que fossem contrários à ideologia legalista dominante foram queimados.
- No Cristianismo
Depois do Primeiro Concílio de Niceia (325), o imperador romano Constantino publicou um édito contra o arianismo que incluía a queima sistemática de livros. Adicionalmente, se qualquer escrito redigido por Ário for encontrado, deve ser lançado ao fogo, de modo que a maldade de seus ensinamentos seja esquecida e que nada seja preservado dele. E anuncio, aqui, que, se qualquer pessoa possuir um escrito de Ário e não o lançar imediatamente ao fogo, será condenado à morte. Assim que ele for descoberto com a prova de seu crime, será submetido à pena capital. Cirilo de Alexandria queimou todos os livros de Nestório logo após 435.
- Biblioteca de Alexandria
A biblioteca de Alexandria, a maior biblioteca do mundo antigo, que foi criada em 300 a.C. e que continha uma coleção de mais de 9 000 manuscritos, foi queimada em data ainda não plenamente esclarecida.
- Queima dos Manuscritos Judaicos em 1244
Em 1244, como consequência da disputa de Paris, edições do Talmude e de outros manuscritos judaicos que enchiam 24 carruagens foram queimadas nas ruas da cidade.
- Inquisição Espanhola
Em 1499, em Granada, a Inquisição espanhola queimou 5 000 manuscritos árabes.
- Queima dos Manuscritos Maias e Astecas nos Anos 1560
Durante a colonização da América e logo após a mesma, muitos manuscritos das populações ameríndias foram destruídos. Em particular, muitos manuscritos maias foram destruídos pelos conquistadores espanhóis durante a Conquista do Iucatã, no século XVI.
- Queima de Traduções da Bíblia de Lutero na Alemanha
Nos anos 1640, traduções da Bíblia feitas por Martinho Lutero foram queimadas em regiões católicas da Alemanha.
- Queima de Livros Protestantes na Áustria
Nos anos 1730, o arcebispo de Salzburgo supervisionou a queima de todos os livros protestantes que conseguiu encontrar.
- Queima da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos
A Biblioteca do Congresso foi fundada em 1800, 24 anos após os Estados Unidos se tornarem independentes da Inglaterra. Em 1813, 3 000 livros da biblioteca foram usados pelas forças inglesas para incendiar o Capitólio dos Estados Unidos durante a Batalha de Washington.
- Sociedade Novaiorquina para a Supressão do Vício
A Sociedade Novaiorquina para a Supressão do Vício, uma organização fundada em 1873 para combater a imoralidade, tinha, como símbolo, um desenho representando a queima de livros.
- Na União Soviética
Dos anos 1920 em diante, os da União Soviética queimaram um número indeterminado de obras literárias decadentes do ocidente.
- Na Alemanha Nazista
Em 1933, logo após a chegada ao poder de Adolf Hitler, foram realizadas queimas de livros considerados contrários à ideologia nazista dominante em praças de várias cidades alemãs.
- No Macartismo
Durante o macartismo da década de 1950, muitas bibliotecas dos Estados Unidos queimaram livros considerados comunistas.
- No Chile
Em 1973, durante a ditadura Pinochet no Chile, centenas de livros foram queimados numa forma de censura.
- No Sri Lanka
Em 1981, forças policiais e paramilitares do Sri Lanka incendiaram a biblioteca pública de Jaffna, que contava com 100 000 livros e raros documentos tâmeis, durante um pogrom contra a minoria tâmil.
- Na Bósnia
Durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), as forças sérvias destruíram bibliotecas e outros locais de relevância cultural na Bósnia com o propósito de destruir a cultura muçulmana da Bósnia.
- Na Austrália
Em 2009, seguidores do culto medicina universal da cidade de Mullumbimby, em Nova Gales do Sul, na Austrália, queimaram seus livros de acupuntura, cinesiologia, homeopatia e outras medicinas alternativas numa pira.
- No Siquismo
No siquismo, as edições muito velhas do livro sagrado Guru Granth Sahib são cremadas.
- Nas Artes
• Na parte II da peça teatral Tamburlaine (1587-1588), de Christopher Marlowe, o protagonista Tamburlaine queima um exemplar do Alcorão após conquistar a Ásia Menor e o Egito. Com isso, declara sua independência em relação às divindades, o que acaba ocasionando sua doença fatal e o fim da peça.
• No clássico da literatura espanhola Dom Quixote (1605), os amigos de dom Quixote queimam seus livros de cavalaria, por julgarem que eles seriam os responsáveis pela loucura de dom Quixote.
• Na sua peça Almansor (1821), Heinrich Heine escreveu, se referindo à queima do Alcorão pela inquisição espanholaː Onde se queimam livros, no final estarão se queimando, também, seres humanos. Um século depois, os livros do autor seriam queimados pelos nazistas.[15]
• O conto Holocausto da Terra (Earth’s Holocaust), que faz parte do livro Musgos de uma mansão antiga (Mosses from an old manse) (1846), de Nathaniel Hawthorne, fala sobre uma sociedade que queima tudo o que ela acha ofensivo, incluindo sua literatura.
• No livro Viagem ao Centro da Terra (1864), de Júlio Verne, o protagonista Axel sugere, ao professor Lindembrock, que eles façam uma pesquisa mais aprofundada sobre os textos de Arne Saknussemm antes de eles tentarem repetir sua aventura. O professor, então, lhe responde que essa pesquisa será impossível, pois Saknussemm se indispôs com os líderes de seu país e, como consequência, todos os seus livros foram queimados após sua morte.
• No livro Anne of Green Gables (1908), a cuidadora de Anne queima o livro de Anne que contém o poema The Lady of Shalott, como punição por Anne ler em vez de cumprir suas obrigações domésticas.
• No filme Der alte und der junge König (O velho e o jovem rei) (1935), feito na Alemanha nazista, o rei Frederico Guilherme I da Prússia é visto jogando, ao fogo, os livros em francês adorados por seu filho (o futuro Frederico II da Prússia), bem como a flauta deste. O filme apresenta a queima como um ato necessário ao fortalecimento moral do príncipe.
• No livro 1984 (1949), de George Orwell, o buraco da memória é usado para queimar qualquer livro ou texto que seja inconveniente para o regime em vigor.
• O livro Fahrenheit 451 (1953), de Ray Bradbury, tem, como protagonista, Guy Montag, que tem, como ofício, queimar livros (451 graus Fahrenheit, o equivalente a 233 graus Celsius, é, segundo o autor, a temperatura em que o papel começa a queimar. Segundo os cientistas, tal temperatura pode variar entre 440 e 470 graus Fahrenheit.). Em 1956, o autor disse que o livro era um alerta sobre a possibilidade de se iniciar uma queima de livros durante o vigente macartismo. Em 2007, no entanto, o autor mudou de ideia, e disse que a crítica do livro era em relação à perda do interesse pela leitura entre a população motivada pela chegada da televisão.
• Nas novelas do detetive Pepe Carvalho, de Manuel Vázquez Montalbán (1939-2003), o protagonista queima, toda noite, um livro de sua imensa biblioteca, visando a exprimir seu desencanto diante da vida.
• Na conclusão de O Nome da Rosa (1980), de Umberto Eco, a biblioteca que é o cenário principal da história é totalmente queimada.
• No filme Footloose (1984), o reverendo Moore vê moradores da cidade queimando livros que eles julgam serem prejudiciais às crianças. Ele, então, ordena que os moradores parem, pois compreende que a lei contra música e dança na cidade havia ficado fora de controle.
• No jogo eletrônico Myst (1993), a única maneira de destruir a ligação para uma Era é destruir seu Livro Descritivo, geralmente queimando-o.
• O episódio The needs of Earth da série de televisão Crusade (1999) mostra um mundo que destruiu toda sua herança cultural (arte, música, literatura) e que persegue todas as pessoas que ainda possuam um resquício dessa herança.
• Em um episódio do mangá Fullmetal Alchemist (2001-2010), os homúnculos queimam uma seção de biblioteca para impedir que Edward obtenha informações sobre a pedra filosofal.
• O filme Equilibrium (2002) mostra uma sociedade distópica que eliminou todas as emoções e que queimou tudo que pudesse causar emoção.
• O livro The Dream of Scipio (O sonho de Cipião) (2002), de Iain Pears, narra a história de três personagens envolvidos em queima de livros. O primeiro, Manlius Hippomanes, é um aristocrata galo-romano que vive no século V, na época do declínio do Império Romano. Ele prega o antissemitismo visando a aumentar o seu poder pessoal. Após sua morte, seus seguidores queimam sua biblioteca de obras clássicas greco-romanas, acreditando que, com isso, estão seguindo seus ensinamentos. O segundo personagem é Olivier de Noyen, um poeta que vive na corte papal de Avignon do século XIV. Ele assiste a seu pai queimar sua adorada cópia de uma obra de Cícero. Olivier, então, reescreve o livro apenas com o recurso de sua memória. A partir de então, ele se dedica a preservar as obras da Antiguidade. O terceiro personagem é Julien Barneuve, um intelectual que vive na época da Segunda Guerra Mundial. Após colaborar com o governo de Vichy, ele se arrepende e se queima em uma cabana, iniciando o fogo com a queima de um manuscrito seu que louva Hippomanes e condena Noyen.
• No filme O Dia depois de Amanhã (2004), a cidade de Nova Iorque é engolida por uma nova Idade do Gelo e os personagens procuram abrigo na Biblioteca Pública de Nova Iorque. Para se aquecer, o protagonista sugere queimar livros, o que escandaliza dois bibliotecários.
• No livro The Book Thief (2005), a protagonista Liesel assiste a uma cerimônia nazista de queima de livros. Ao perceber que um dos livros escapou à queima, ela o rouba e o leva para casa.
• No episódio Not All Dogs Go to Heaven (2009) da sitcom Family Guy, Meg leva Brian para uma igreja para queimar livros sobre ciência e evolução, por eles serem daninhos segundo Deus. Entre os livros queimados, estão A Origem das Espécies, de Charles Darwin; Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking; e um livro ficcional intitulado Lógica para a primeira série.
• No filme O Livro de Eli (2010), o protagonista Eli diz, a uma jovem garota, que a humanidade foi devastada por uma guerra nuclear, e que os sobreviventes queimaram os livros religiosos por acharem que as religiões estiveram entre as principais causas da guerra.
- Na Era Digital
Atualmente, grande quantidade de documentos está registrada em formato digital. Isso faz com que a deleção desses registros seja considerada uma nova forma de queima de livros.
Este é o número 7 de uma série de textos sobre Censura, no Brasil e no mundo. Alguns escritos por mim, alguns serão apenas listas, outros tantos retirados de outros sites com os devidos créditos, e alguns até elaborados com ajuda de Inteligência Artificial.
Publicado em: 07/07/2024


Do Livro:
Samizdat: Arquivos de Censura
Barata Cichetto
Gênero: Não Ficção
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 244
Tamanho: 16 × 23 × 1,50 cm
Peso: 0,400
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
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Censuram quem se mantém calado; censuram quem fala muito; censuram quem fala ...







No último tópico (Na Era Digital) serve como exemplo a “queima” virtual na revista Crusoé, por causa da matéria “O amigo do amigo do meu pai), que incomodou muito um ministro do STF, que ordenou a retirada da matéria publicada pela revista Crusoé. A decisão foi revertida, mas o estrago não terá reparo. De qualquer modo, temos visto aqui e ali que a tal incineração ocorre, salvo engano, praticamente sem controle.
A pauta “Queima de Livros na Era Digital” já está programada e em breve fará parte desta série.
Quase uma sequencia este artigo, tem o sobre Farenheit 451, já publicado!
https://barataverso.com.br/samizdat-07-fahrenheit-451/