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Samizdat 11 – A Censura de Livros: Impacto e Implicações na Sociedade

A censura não presta para nada, já se sabe. Mas o bom escritor deve convencer até os censores.
― Gabriel García Marquez

Ecos Silenciados: A Batalha Contra a Censura Literária


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A censura de livros é um fenômeno perturbador e duradouro que nos acompanha desde os primórdios da civilização. De Platão a Orwell, de Alexandria à internet, essa prática sempre foi uma tentativa desesperada de silenciar a diversidade do pensamento humano. E acredite, não há nada mais subversivo e transformador do que um livro.

Na Antiguidade, a biblioteca de Alexandria, um farol de conhecimento, sofreu com incêndios e saques que destruíram séculos de sabedoria acumulada. Filósofos gregos como Sócrates enfrentaram a censura direta – Sócrates, por exemplo, foi condenado à morte por “corromper a juventude” com suas ideias provocadoras. Esses eventos iniciais já nos mostravam que ideias poderosas sempre encontrarão resistência.

Avançando para a Idade Média, a Igreja Católica intensificou a repressão ao conhecimento com a criação do Index Librorum Prohibitorum, uma lista de livros proibidos que vigorou por mais de 400 anos. Galileo Galilei, um dos maiores cientistas da história, viu sua obra censurada e foi obrigado a renegar suas descobertas que desafiavam a visão geocêntrica do universo. Giordano Bruno, outro pensador brilhante, foi queimado na fogueira por suas ideias heréticas. A censura, nesse período, não apenas silenciava, mas também destruía vidas.

Nos séculos seguintes, o controle sobre a informação continuou a ser uma ferramenta de poder. Durante a Revolução Francesa, o regime de Napoleão impôs severas restrições à imprensa e à literatura. O século XX trouxe um novo tipo de censura, com regimes totalitários como o nazismo e o stalinismo suprimindo qualquer forma de dissidência. Os nazistas realizaram infames queimas de livros, onde obras de autores como Thomas Mann, Sigmund Freud e Albert Einstein foram lançadas às chamas em um ato de barbárie cultural.

E não pense que estamos livres dessa sombra em tempos modernos. O regime soviético continuou a tradição de censura, onde obras de escritores dissidentes como Aleksandr Solzhenitsyn eram proibidas. Solzhenitsyn, que ousou expor os horrores dos gulags, foi silenciado e exilado, suas palavras consideradas uma ameaça ao Estado.

Mesmo em democracias ocidentais, a censura encontrou seu caminho. Durante a Guerra Fria, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética censuraram livros que favoreciam o sistema do outro. Livros como “1984” de George Orwell foram proibidos em diversos países por suas críticas mordazes ao totalitarismo. Paradoxalmente, a distopia de Orwell foi censurada tanto em regimes comunistas quanto em países ocidentais, cada um temendo suas próprias vulnerabilidades expostas.

O caso de Salman Rushdie e seu “Os Versos Satânicos” nos anos 80 é emblemático dos tempos modernos. O livro provocou uma reação tão violenta que resultou em uma fatwa, uma sentença de morte emitida pelo aiatolá Khomeini do Irã. Rushdie viveu anos na sombra, protegido por guarda-costas, sua liberdade e vida ameaçadas por palavras impressas.

Na atualidade, a censura assume novas formas. O controle digital é uma realidade crescente. Governos como o da China impõem rigorosas restrições à internet, bloqueando sites e livros digitais que consideram subversivos. A tecnologia, que deveria ser um veículo de liberdade, muitas vezes é utilizada para vigiar e controlar.

Contudo, a censura não é apenas institucional; ela pode ser social e cultural. Nos Estados Unidos, livros como “O Apanhador no Campo de Centeio” de J.D. Salinger frequentemente enfrentam proibições em escolas e bibliotecas por sua linguagem e temas controversos. A pressão social para conformidade pode ser tão opressiva quanto a censura estatal.

Os livros, sejam físicos ou digitais, são a expressão máxima do pensamento humano e da liberdade de expressão. Eles têm o poder de questionar, inspirar e transformar. Quando censuramos livros, não estamos apenas silenciando ideias; estamos sufocando a própria essência da humanidade. A diversidade de pensamento é fundamental para o progresso. Sem ela, caímos na estagnação e na tirania do pensamento único.

A vigilância contra a censura é essencial. Precisamos defender o direito de ler, escrever e pensar livremente. Cada livro proibido, cada autor silenciado, é uma ferida na alma coletiva da humanidade. Vamos erguer nossas vozes contra a censura e celebrar a liberdade que os livros nos proporcionam. Que as palavras continuem a fluir, livres e indomáveis, como a própria essência do espírito humano.

10/07/2024

Arte Por Leonardo AI

A seguir um texto interessante sobre livros famosos que foram censurados, publicado no site da CNN Portugal.

7 dos Livros Famosos Mais Censurados no Mundo
CNN , Monges Kieron
27/08/2022

(…)

Um tema comum da proibição de livros ao longo da história é que a censura tende a fazer recuar e tornar os seus alvos mais populares, disse Harrington, apontando para o caso do Spycatcher [Caçador de Espiões], uma autobiografia de um antigo oficial do MI5 que se tornou um best-seller depois de ter sido proibido em 1987.

Quanto mais se suprime, mais pessoas lutam contra isso, acrescentou.

A coleção de obras censuradas da feira apresenta uma série de títulos, incluindo os que se seguem, que são considerados clássicos em algumas jurisdições e contrabando noutras.

Os Versos Satânicos de Salman Rushdie

A obra “Os Versículos Satânicos”, de Rushdie, uma ambiciosa obra de realismo mágico, produziu um dos mais violentos e duradouros ricochetes da história literária, por causa do seu tratamento sobre as tradições islâmicas. O seu lançamento em 1988 foi recebido com manifestações, motins e proibições em países de maioria muçulmana. O ayatollah Khomeini, do Irão, anunciou então uma fatwa, um decreto religioso, em 1989, apelando a que o autor e todos os que haviam trabalhado no livro fossem mortos. Depois disso, um tradutor italiano do livro foi esfaqueado, um tradutor japonês foi assassinado, e uma editora norueguesa foi baleada. Rushdie foi forçado a esconder-se durante anos; o livro ainda é proibido em mais de uma dúzia de países, incluindo o Irão, a Índia e o Quénia.

O motivo por detrás do ataque a Rushdie este mês ainda não é claro, mas o incidente “realça que a supressão e censura dos livros já dura há séculos e continua a acontecer até hoje”, disse Pom Harrington, diretor da Firsts: Feira do Livro Raro de Londres, que se centra este ano no tema dos livros proibidos.

Lolita de Vladimir Nabokov (1955)

A história de Nabokov sobre a paixão de um pedófilo por uma jovem rapariga caiu previsivelmente como falta na censura no Reino Unido, pelo que o editor francês Maurice Girodias – um campeão de obras proibidas que se especializou em erotismo – imprimiu as primeiras cópias. O romancista inglês Graham Greene fez campanha pelo lançamento do romance na Europa, argumentando que Lolita era uma metáfora da corrupção do velho mundo (Europa) pelo novo mundo (os Estados Unidos). As proibições em vários países foram anuladas quando a adaptação cinematográfica de Stanley Kubrick saiu em 1962, e o livro tornou-se um sucesso. Mas permanece no topo da lista dos textos mais proibidos e desafiados nas escolas e bibliotecas americanas, de acordo com a Associação Americana de Bibliotecas.

Animal Farm/O Triunfo dos Porcos de George Orwell (1945)

Editores americanos e britânicos rejeitaram a sátira de Orwell sobre os perigos da repressão estalinista durante a Segunda Guerra Mundial, temendo que a novela pudesse minar a sua aliança com a União Soviética contra Hitler. Mas mais tarde apressaram-se a abraçá-la quando os soviéticos se tornaram o inimigo durante a Guerra Fria. Animal Farm [traduzido em Portugal como O Triunfo dos Porcos ou como A Quinta dos Animais] esteve fora de limites no bloco oriental até à queda da URSS, e mais tarde os Emirados Árabes Unidos proibiram-no pela sua representação dos porcos como personagens principais, o que alguns consideravam estar em contradição com os valores islâmicos.

Trópico de Câncer de Henry Miller (1934)

Não tenho a certeza se seria publicado hoje, disse Tom Ayling, da Jonkers Rare Books, que vende edições limitadas do romance semi-autobiográfico de Miller sobre a vida como escritor em dificuldades em Paris. A prevalência de cenas de sexo violento e de linguagem misógina seria uma venda difícil para o público moderno, argumentou. Apenas a Obelisk Press, um canal mais conhecido pela distribuição de pornografia, publicaria Trópico de Câncer em 1934. Os Estados Unidos proibiram o livro no mesmo ano, mas ele circulou no mercado negro até que o Supremo Tribunal o declarou não-obsceno em 1964. A Turquia ainda proibiu o romance em 1986.

O Amante de Lady Chatterley de D.H. Lawrence (1928)

O agente de Lawrence informou o autor que o seu conto arriscado não poderia ser publicado no Reino Unido, devido tanto ao seu conteúdo sexualmente explícito como à sua descrição das relações então tabu entre membros de diferentes classes sociais. O autor acabou por obter uma impressão limitada em língua inglesa através de uma editora italiana. Lady Chatterley’s Lover só foi publicado no Reino Unido em 1960, tornando-se o tema de um julgamento marcante sobre obscenidade travado pela editora Penguin Books contra o Estado. A Pinguim ganhou e, no primeiro dia em que o romance ficou disponível, foram vendidos 200 mil exemplares. O livro foi subsequentemente banido na China em 1987 com o argumento de que corromperia a mente dos jovens e é também contra a tradição chinesa, embora não seja claro se a proibição ainda é aplicada.

Ulisses de James Joyce (1922)

A revista norte-americana The Little Review começou por apresentar uma série de magnum opus de Joyce, mas as passagens sexuais da obra — particularmente uma cena de masturbação — resultaram num julgamento por obscenidade e a série foi interrompida. O Reino Unido também proibiu Ulisses, mas Joyce encontrou uma editora em Paris para imprimir a obra na sua totalidade pela primeira vez em 1922; o livro tornou-se rapidamente um sucesso do mercado negro, mesmo quando as cópias foram apreendidas e queimadas pelos Correios dos EUA e em portos britânicos. Mas, em 1933, um juiz norte-americano decidiu que o livro não era obsceno, e ele começou a circular amplamente. Ulisses passou desde então a ser considerado uma das obras-primas da literatura modernista. Desafiando os censores iranianos, o livro foi recentemente traduzido para persa para distribuição ilegal no país.

Os 120 Dias de Sodoma de Marquês de Sade (1904)

Foi escrito na Bastilha durante a revolução francesa. Mas o autor foi interrompido quando a prisão foi invadida por insurretos e nunca terminou a história. Mas 120 Dias permanece entre as obras mais notórias da literatura, apresentando fetiches depravados, orgias banhadas em sangue, tortura e pedofilia. O livro foi publicado pela primeira vez na Alemanha em 1904 e depois banido em toda a Europa durante grande parte do século XX. Uma adaptação cinematográfica de 1975 de Pier Paolo Pasolini foi também proibida em vários países. A Coreia do Sul proibiu o livro duas vezes este século, e agora só pode ser vendido no país numa capa de plástico selada a adultos com 19 anos ou mais.

Recomendação de Leitura:

Contra Toda Censura
Gustavo Maultasch

De onde vem essa nova onda de Censura? E como nós podemos combatê-la?

Para articular a defesa contra a censura, os defensores da liberdade de expressão precisam voltar aos fundamentos: afinal, por que a liberdade de expressão é tão importante? Por que não se deve confiar ao Estado a função de definir o que pode ou não pode ser dito? Quais os limites da liberdade de expressão? E por que é bom, para as próprias minorias e para a própria democracia, que se reconheça a liberdade de expressão inclusive para o discurso de ódio e de ataque às instituições democráticas? Com clareza, precisão e diversos exemplos históricos, Gustavo Maultasch explora esses temas e explica por que precisamos, agora mais do que nunca, realizar um debate amplo e corajoso sobre o tema da liberdade de expressão.

Para Gustavo Maultasch, o tema da liberdade de expressão tem um sentido especial. Judeu e neto de sobreviventes do Holocausto, há muitos anos tem refletido sobre a complexa relação entre liberdade de expressão e discursos extremistas. Hoje é diplomata e escritor, e foi Network Fellow do Edmond J. Safra Center for Ethics, da Universidade de Harvard (2013-2014). É bacharel em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago.

Contra Toda Censura”
Gustavo Maultasch
Editora: Avis Rara (2022)
Idioma: ‎ Português
224 Páginas
23 x 3 x 16 cm
Comprar

Do Livro:
Samizdat: Arquivos de Censura
Barata Cichetto
Gênero: Não Ficção
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 244
Tamanho: 16 × 23 × 1,50 cm
Peso: 0,400

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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genecysouza@yahoo.com.br
14/07/2024 22:34

Não sei se cabe aqui, mas um outro livro também pode ser incluído na lista de livros censurados: a Bíblia. Independentemente do juízo que se faça dela, em certos países, principalmente os de cultura muçulmana, a simples posse de uma Bíblia pode resultar em complicações com a lei. Também, em países de regime comunista, atuais e passados, a Bíblia é/foi duramente combatida.

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Plágio é Crime!

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