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Epílogo – Samizdat: O Eterno Confronto Pela Liberdade de Expressão

“A censura é a essência do totalitarismo; ela não visa apenas silenciar as vozes dissonantes, mas eliminar o próprio pensamento.”
— George Orwell
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A censura é um crime contra a humanidade, não importa de que lado esteja. ‘Samizdat: O Eterno Confronto pela Liberdade de Expressão’ expõe a história da censura e a resistência humana, alertando sobre os perigos do totalitarismo e a urgência de defender a liberdade de expressão em um mundo cada vez mais controlado.

Chegamos ao final de “Samizdat: Arquivos de Censura”. Meu objetivo foi traçar um painel da Censura no mundo, desde que a comunicação entre seres humanos se tornou, primeiramente, verbal, e posteriormente escrita, evoluindo para outras formas, com a chegada de tecnologias como o rádio, a televisão, o cinema, e depois a internet, com plataformas como YouTube e outras. Nessa jornada, acabei cunhando uma frase que serviu de fio condutor para o restante: “Quase tão antiga quanto a Censura, é a capacidade humana de resistir a ela.” É uma frase simples, mas que, na sua simplicidade, carrega tudo o que penso e sinto a respeito do assunto.

A Liberdade de expressão, ultimamente tratada como relativa, especialmente pelos poderosos, foi ameaçada assim que as pessoas começaram a exercê-la utilizando os meios tecnológicos da modernidade. Tratou-se então de exercer a nova Censura, usando do aparelhamento gramscista instaurado há muitas décadas, mesmo debaixo das barbas do tão temido Regime Militar, tanto dentro do sistema de educação, quanto nas redações de jornais e outros meios de comunicação, como dentro do próprio Legislativo e, especialmente, do Judiciário. Tudo parecia correr bem para o lado mau da força…

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Até que brotou, por cansaço, não do nada, mas pelo poder das novas tecnologias de redes sociais, que possibilitavam o chamado à ação de forma muito mais rápida e eficaz, uma velha Nova Consciência, que brotou particularmente quando ruiu e foi desmascarado o esquema petista de poder, já nos primeiros anos da década de 2010. O marco inicial, isso tenho muito claro, foram as chamadas “Jornadas de Junho” em 2013, quando as pessoas, indignadas com os desmandos de um governo que chegara ao poder prometendo mundos e fundos, especialmente aos mais pobres, foram pegas com as calças (e cuecas) na mão, aliando-se e criando esquemas fraudulentos com empreiteiras, bancos e estatais. A Lava-Jato em pleno vapor, e nos próximos cinco anos, muitos foram presos por corrupção, incluindo aí um certo personagem, que há muitos anos vinha enganando, primeiramente, pessoas humildes de fábricas e, depois… Bem, depois uma nação quase inteira.

Preso o mulambo de nove dedos, presos centenas de corruptos de esquemas criminosos e parecia que, finalmente, a decência e hombridade passariam a fazer parte do cotidiano dos brasileiros. E aí, tudo parecia correr bem para o lado bom da força… Foi quando apareceu um tal de ex-capitão, um fanfarrão, que era conhecido por suas falas histriônicas e bate-bocas com deputados, e que representou, ao menos naquele momento, a esperança de que, sim, os opositores ao esquema lulo-petista tinham agora uma voz. O tal deputado percebeu que não havia ninguém com possibilidades reais, uma figura popular (melhor dizendo, populista) que pudesse fazer frente ao que parecia ser, apesar do desgosto de muitos em descobrir as mentiras do projeto petista de poder e a prisão do líder maior. Assim, tratou o autoaclamado “Mito” de angariar simpatias e, mesmo sem qualquer recurso de campanha, tempo de exposição em horário eleitoral, e como um Enéas dos tempos modernos, munido de um celular e uma rede de contatos e grupos em redes sociais, o que parecia impossível aos olhos do “establishment” aconteceu. O tal foi eleito. E devem então ter se perguntado: “E agora, o que fazemos? Deu merda!”.

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Mas, providencialmente — ah, a providência… — um ano depois surge a tal pandemia, e foi o prato pronto que precisavam para começar a almoçar e jantar o tal ex-capitão, e de sobremesa, toda a população que o apoiava. Foi aí que a Ditadura Judiciária mostrou as caras, e a nossa velha conhecida, a tal da Censura, tomou o corpo do tamanho de um gigante: médicos e quaisquer pessoas que ousassem discordar de suas regras e decretos eram Censurados, proibidos de se manifestar. Eram tachados de “negacionistas” e outros termos menos justos. O tal ex-capitão, então… Esse tinha que ter um termo à altura: “Genocida!”. De fato, a pandemia de Covid foi um exercício, um teste para saber até quando e quanto as pessoas aceitariam ordens, decretos absurdos e, principalmente, a Censura. O resultado foi claro: usando as estratégias corretas, aceitam e até defendem ser controlados, Censurados. A versão original de “Chicken Little” da Disney ilustra bem isso.

E já que falei em personagens de desenhos, é interessante pensar que o escolhido para representar essa farsa burlesca tenha justamente a figura de um vilão de histórias em quadrinhos. Voldemort, Lex Luthor… Ah, a figura dos grandes vilões de quadrinhos… Sempre carecas com suas capas sombrias… Algo tinha que ser feito, e quando poderosos não sabem o que fazer, e eles nunca fazem nada além de seus próprios interesses, a solução é sempre a mesma: Censura.

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A eleição de 2022 foi a apresentação das cartas, onde ficou muito claro que o “establishment” esquerdista não aceitaria que, afinal, as pessoas tivessem vozes, provando definitivamente que democracia é apenas um conceito, não uma prática. Documentários foram Censurados, falas documentadas do já eleito antes do pleito proibidas de ser reproduzidas, e a própria grande mídia descaradamente favorecia o determinado. Ah, assim o tal do ex-deputado não tinha mesmo chances… Não que fosse ele um santo, pois se aproveitou de uma fragilidade da sociedade brasileira, usando inclusive de condenáveis expedientes, como associar seu segundo nome, Messias, criando uma persona de “Salvador da Pátria”. E não pelo que ele era de fato, mas pelo que representava, como populista, jamais permitiriam que continuasse. Sabiam que ele não tinha o apoio da mídia, tanto da tradicional quanto da cooptada, mas ainda mantinha seus territórios intactos, conquistados especialmente pelas redes sociais, especialmente em grupos de WhatsApp e Telegram, além de uma imensa rede de canais de YouTube. O que fazer para quebrar essa corrente? Simples: Censura. Assim, canais foram desmonetizados, derrubados, extintos. Youtubers e influencers, que ousaram defender valores, senão “conservadores”, mas ao menos anti-esquerda, foram penalizados de todas as formas, até por medo das plataformas de serem prejudicadas.

Onde chegamos agora? Chegamos a uma sociedade em uma parte revoltada pelas injustiças, pelas prisões kafkianas, e em outra pela tristeza e apatia, em perceber que, de fato, sua voz não pode ser escutada. Finalmente parece que perceberam que “a voz do povo é a voz de Deus” é apenas uma frase bonita, mas sem sentido. Ou ao menos sem qualquer valor, acreditando-se ou não em Deus. Ou na democracia.

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Espero que “Samizdat: Arquivos de Censura” possa ter lhe oferecido alguma percepção de que, não importa de que lado esteja, direita ou esquerda, a Censura é um crime não apenas contra o que chamam de democracia, mas um crime contra a humanidade. E o faça perceber que, se há algo pelo qual precisa lutar, é pela Liberdade de expressão. Não de uma pessoa, mas de todas as pessoas; não de uma ideologia, mas de todos os pensamentos; não de um lado, mas de todos os lados; não sobre algo, mas sobre tudo.

E apenas lembrando o slogan que criei para A Barata em 1997: “Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade”.

Escrito e Publicado em 10/08/2024

Do Livro:
Samizdat: Arquivos de Censura
Barata Cichetto
Gênero: Não Ficção
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 244
Tamanho: 16 × 23 × 1,50 cm
Peso: 0,400

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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Áureo Alessandri
Áureo Alessandri
14/08/2024 17:45

Essa série, SAmizdat, é realmente impressionante. Um livro e tanto que vale a leitura de ponta a ponta.

Dinho Ferrarezi
Dinho Ferrarezi
13/08/2024 14:05

Muito boa explanação analítica! Sabemos o quanto é cansativo, porém, continuaremos atentos, não existe espaço para o sonambulismo.

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Plágio é Crime!

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