Ah, quanta insatisfação… Há uma desordem dentro de mim, quase nada me satisfaz, em tudo que procuro em fim, há sempre um porém ou um mas… E embora tão bem escondida, nas profundezas de minh’alma, em razão da desordem na minha Vila, que de há muito surgiu…E eu preciso ter calma… Calma!
Como? Eu não queria, porém me abato cada vez mais, ao ver se agigantar, dia a dia, as misérias sociais… Mas o mundo está cego, e não adianta falar para ouvidos onde nunca aportam murmúrio… Que não ouvem o sopro do vento, ou sequer um bom pensamento. A Vila se encheu de homens de olhos grandes, maléficos, enigmáticos, olhos de quem não dorme, olhos de loucos ou fanáticos, feras sempre prontas ao ataque, que não hesitam diante de um corpo, gostam de eliminá-los num baque… E assim, sem destino, horizonte, par, sigo, e meu corpo não oscila, busco uma luz para esta querida Vila, onde fica que a quer amar. E a Imprensa ! O Jornal ? Só tragédia traz impresso, é um mundo de Avanços e Retrocessos.
Como vê, tem na Vila grande cortiço, casas, cortiços, favelas, mas nas Mansões dos Corruptos, tem lanchas, iates, barcos à vela. Era uma minoria, hoje não tão minoritária, se dizem Brâmanes e Xátrias, mas não passam de párias, e na Vila? Sempre aumentando que já não consome, porque ganha pouco ou morreu de fome, Lá, há quartos ocupados por um contingente, e, todos presenciam gente fazendo gente e o pobre riso se mistura ao pranto, onde a harmonia não encontra um canto, e contra a correnteza pra salvar suas vidas, mas nunca que termina dois pesos e duas medidas, só o grito triste, de alguém desesperado, que procura, em vão, quem foi o culpado. É uma Vila grande, um quintal “sem muro”, onde muitas coisas fazem-se no escuro, é onde trabalha Maria e também José, que ainda sobrevivem à custa de Fé. Nesta Vila grande uns “Governa dores” sobem em palanque, são mesmo atores. ―É hora de Mudança!
Falam entusiasmados e novamente o povo é enganado. A Vila! Hoje? É uma Roma antiga, mil bicos em cena, e quem levanta a lebre é levado à arena, e sempre há um Cristo pra pagar o pato, e na luta desumana quem morre é o gato; O povo se tornou brinquedo, nada satisfaz, somos vídeo games do Satanás…
Foi lá que morreu o meu sonho… Num chão batido deu seu último suspiro, mas ainda ecoa ...
Ah, mas no outro dia, entre mentiras e meias verdades, assisto a desfile de modas, novelas, entrevistas, ...
Vejo os rios sofrendo a convulsão, debatem-se preso as margens artificiais, espumando-se, olha-se para frente, a fumaça ...
Ah! Mas bem antes deste meu ingresso, nestemundo de armadilhas de Avanço ou Retrocesso eu colhia vogais ...
Ah, do Paraíso da vida interiorana, triste regresso,deixei um lugar onde tudo era tão verdade, para encarar ...
Tortuoso caminho se deu meu retorno, numa cidade de armadilhas, trilhas, atalhos, onde há o marcado baralho, ...
Venha! Não vamos compactuar desta desgraça, não nos misturemos à maldita fumaça, da ambição, do desamor, nas ...
Ah, quanta insatisfação… Há uma desordem dentro de mim, quase nada me satisfaz, em tudo que procuro ...
Boa tarde, poeta Barata Cichetto. Como vai, nobre pensador Áureo Alessandri? Como vão meus nobres companheiros, de ...
Neste terreno onde às vezes me refugio, da loucura entre Avanço & Retrocesso, é um espaço, um ...
Hoje, não sei por quê! Tão pouco peço, mas sinto a brisa, pela fresta, entrar ardente. Embora ...
Olhem! Percebam! Eu lhes peço! É cruel demais ver tanto descaso, neste mundo de Avanço & Retrocesso ...
Vaza do meu corpo a imensidão do mundo, numa viagem inexoravelmente constante, nesta última fila de espera, ...
A minha vida é uma Cerca Viva. Dentro dela passa o tempo como um rio solitário levando ...
Aos poucos vai despertando este Gigante, pelos homens, que neste instante, em todas as partes onde se ...
Ah, deixe-me correr atrás do sonho! Se há emoção, há vazão num poema, num graveto, num casco ...
Estamos em junho, o mês das Festas Juninas, masnas noites, nenhum recanto luminoso brilha, nenhum fogos, sem ...
