Encosta no muro! Eu disse a ela. Está escuro. Ela respondeu. É seguro. Disse eu. Juro. Disse eu mais uma vez. Segura meu pau duro. Ainda eu disse. Desconjuro. Agora foi ela. Deixa de ser fraca. Ou te risco na faca. Sua vaca. Eu. Eu e eu. Seu babaca. Ela. É na bunda ou na buceta? Pergunto. Pois vai bater punheta. Ela. Faz então uma chupeta. Mostra o bico da teta. Vai se foder. Xinga ela. Eu tenho poder. Eu berro. E nisso eu erro. Não vai responder? Se é o foder ou o poder? Ela escolhe o poder. E eu. A fodo. Na bunda. Imunda. De vagabunda. Com minha rima repetida. Batida. Arrependida. A bunda é fedida. Repartida. Colorida. Pulo o muro. No escuro. E no duro. A seguro. — Aguento tranco da bésta. E o que me resta. Nesta porra de festa. De quem detesta. Tudo aquilo que alguém empresta. Penso agora que sou mesmo um trouxa. De boca roxa. E calça frouxa. A falar sobre coisas que ninguém quer saber. A lesma lerda é aquela que herda. O suco da minha merda. Uma bomba que explode. E a ferida que eclode. — Tem maconha. Sua sem vergonha? Pergunto eu. Como quem sonha. Com a fraternidade. Na humanidade. Sem bondade. E ela, a puta da janela. Que urra feito uma burra. Diante da minha curra. Zurra. A burra. E este que sou eu. Fode como bode. Ou como quem fode. Como pode. E ela fode. Como quem sacode. Como fêmea de bode. De bigode. Mas não se incomode. De limpar a bosta. Faça o que gosta. Ela cospe e diz. E eu topo a aposta. E coloco ela de costa. E enfio no rabo. Até o cabo. E me acabo. Naquele buraco. Que não é fraco. E tem a medida exta do meu instrumento. Arranco excremento. Jura de sacramento. Grito de tormento. Entendam que esse é o rabo sagrado. E eu como bardo. Fodo como quem ora. Ou como quem chora. A qualquer hora. Ah, não chora, vadia argentina. Por Evita. Ou por quem levita. Ou levita. Na minha cama. Porca dama. Que fornica. Com arnica. E se dedica. A ser a Messalina. Da esquina. E que se chama Tina. E não de Cristina. Ou Clmentina. Aquela cretina. Que cegou minha retina. E que agora pede por tormento. E aumento. De salário. De calvário. De otário. Mas eu temerário. Dou-lhe um sudário. Um pano encardido. Que eu trazia escondido. Ela geme. Como quem teme. Uma agressão. E eu ponho pressão. Naquela bunda sem expressão. Magra feito a peste. Torta à leste. Vesga à oeste. É apenas um teste. De visão. Vejo a televisão. Do vizinho. Um senhorzinho. Que vive sozinho. E bate punheta. Me vendo foder aquela vagabunda. E sua bunda. Uma Caverna profunda. Uma deliciosa cratera imunda. E o senhorzinho. Que é sozinho. Na janela solta um berro. E quase que eu erro. Na ejaculação. E na especulação. É que ele teve um infarto. Dizem que estava farto. Do coração. E eu farto de tanta oração. Tanta adoração. Tanta decoração. E se não prezo. Nem rezo. Em ato de contrição. Peço que o senhor, não o Deus, mas o idoso. Tenha tido um gozo gostoso. Batendo sua punheta. E que tenha sido. E que tenha ido. Na paz de um rapaz. Enquanto essa imunda. Criatura nauseabunda. Que talvez se chame Raimunda. E de quem acabei de foder a bunda. Tenha ao menos o respeito. De levar no peito. Esse sujeito. Que por direito. Morreu sem foder-lhe o rabo. — Amanhã é o enterro. Do senhor da janela. Que nunca fodeu ela. Que certamente deu duro. E que no escuro. Morreu velho e seguro. De que naquele muro. Num lugar escuro. Eu era apenas. Uma sombra da sombra dela.
09/04/2024


Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
