Vômito de Metáforas | Batatinha Quando Nasce… Põe a Mão… No Meio das Pernas

Eu sou um escritor. Sou mesmo! (?) Mas o que é um escritor. Não precisa de dicionário. Nem de plenário. Para saber e decidir. Um escritor. Não passa de um ator. Que representa um personagem. A sua imagem. E imperfeição. É como um cantor. Que interpreta uma música. Que nem conhece a vivência. Do compositor. Um escritor é um descritor. Das lástimas tortas que viveu. Sobreviveu. Ou apenas imaginou. E sei que sou eu. Um escritor. Péssimo ator. De uma peça que eu mesmo escrevi. E jamais vivi. Porque nunca servi. Para viver. Apenas sobreviver. Como seria o certo eu dizer. É que ultimamente tenho escrito. Como um proscrito. Sobre o que é essa merda. Que a gente herda. Ao nascer. Coisa de não morrer. E de querer. Ser. Aquilo que não é. Como crescer. Descer. Subir. Ou ir. Aonde não quer estar. Na sala de estar. De um Rockstar. Ou de uma Popstar. Mas deixar estar. Let It Be. Que é por aí. Que a banda toca. Desafinada. Como a do buarquedehollanda. Que nunca soube onde anda. A banda que não sabe tocar. Estocar vento. Como disse a presidenta. Grudenta. Sebenta. Com cérebro de minhoca. E o cabeçadepiroca. Imperador terceiro. Do povo brasileiro. Que defende a democracia. Como se fosse um prato de melancia. Verde por fora. Vermelho por dentro. E noves dedos fora. O que nos resta agora. Meu senhor e minha senha senhora. É que melhora. A dor de dente. Do presidente. E sua senhora. E da nora. Desse presidente. Que apanha sem reclamar. E quem pode chamar a polícia. Porque a milícia do presidente. Adora a sevícia. Do indecente. E é prudente. E maliciar. Policiar. Deliciar. As putas da esquina. Onde fica o bar. Desafio de Calabar: acabar com a delícia. Do parlamentar. Que deixa de alimentar a corja. Que arroja. Em modificar. A Lei do que é por decreto. E se aloja. Nas cadeias do comando da capital. Federal. E se finge de morto. Comendo o cu do General. E que tal. Na porta do hospital. Corre na frente. Do indigente. Porque é o principal. “Nem a pau, Juvenal!”. O que é melhor e não faz mal? Acho que é Sonrisal. Depois do temporal. Não sou Supermem. Homem do Espaço. Que para um trem. Ou Rei do Cangaço. Quero apenas um abraço. Não sou rei mas fui deposto. A contragosto. Por desgosto. Ou por gosto. E quero apenas o oposto. Do que é ser Rei. Que eu nunca sei. Se é o preposto. O suposto. O pressuposto. Ou o aposto do que não sei. Quero um anjo para me consolar. Um arcanjo para eu esfolar. E um banjo para tocar. Um countryrockblues antigo. Do meu amigo Robert. O tal da encruzilhada. Encilhada. Meu vocabulário é fraco. E sempre cai no buraco. E o buraco é fundo. Acabou-se o mundo. Coisa de criança isso. Dos anos sessenta. Ninguém mais aguenta. Não esquenta. Só enfrenta. Meu vômito diário. Marcado no calendário. Feito um Cristo no sudário. Sei apenas o abecedário. Que aprendi na escola primária. Que pela secundária. Nunca passei. E nem sei. Onde se esconde. O diploma eu da escola troquei. Por um quilo de não sei. Seis por meia dúzia. Ou meia dúzia por três. Matemática esqueci. Português nunca aprendi. Geografia então… Nem sei nem a coreografia. Ah… Mas tenho diploma de datilografia. A única universidade que cursei ainda não diplomei. Também nunca amei. Nunca mamei. De mamadeira. Nunca chupei chupeta. Só gostei. De chupar buceta. Concordo que sou um porco. Que pouco a pouco. Fica louco. De tanto usar rimas pobres. Perdoem poetas nobres. Que de nobreza. Só conheço a tristeza. E a pobreza. — Eu dizia que sou um escritor. E mau ator. Péssimo cantor. E pior compositor. É que sou tão mau em tudo. Que no final. No fim do mundo. Acabo mal. Viva eu. Viva tudo. Viva o Chico Barrrigudo. Batatinha quando nasce… E a menina quando dorme. Põe a mão… Não é no coração. Mas no meio das pernas. Que sujeito que só escreve bosta. Dirá quem não gosta; E aquele que sim. Espere que logo chega ao fim. A merda da minha vomitação.

13/04/2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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