Vômito de Metáforas | E Se Nelson Rodrigues Fosse Mulher Seria Feminista?

Pensando aqui comigo mesmo. A esmo. Que a filosofia tem mais a ver com destruição. Do que com construção. Nietzsche falava sobre o poder construtor da destruição. E acho que os gregays também tinham algo sobre isso. E sem querer ser o sabichão. Penso sobre a morte desde que tinha dezesseis. E até agora aos quase sessenta e seis. Ainda entendo merda nenhuma da porra da morte. Ou da puta consorte. E nada da sorte. A danada com uma foice e sem o martelo. Ou um cutelo. É que é o mais belo. De se entender. Uso eu a marreta. Que é mais dura e pesada. E causa menos risada. Que o martelo que é do Bigodão. Alemão. A foice ceifa. O martelo bate. Mas minha marreta esmaga. Sem deixar poeira. Esmagou até minha depressão. E duas panelas de pressão. Nos tempos perigosos de repressão. De supressão. Da liberdade de expressão. Falar de Frederico. Prosar sobre o rico. E do Francisco. Que é de Holanda. Ou talvez da Irlanda. É como falar da Umbanda. E de suas mentiras piedosas. Ardilosas. Que justificam as mentiras sinceras, Das feras. A nos foder. Por causa de um poder. Que tem a ver. Com quem não sabe escrever. E nem ver. Mas neste momento. No auge do meu tormento. Quero apenas ser o lamento. Nunca o esquecimento. Na lápide de cimento. Duro e frio na memória. E na história. De quem eu como humano pensante. Feito um alto falante. Nada galante. Esmaguei com a marreta pintada de laranja. Imaginando que a cabeça sem franja. Ainda posso esmagar. Sem engasgar. E depois ir cagar. Na privada entupida. Sem saída. Para o mar. E o agora por fim num texto curto. E ainda puto. Quero apenas perguntar. Se devo jantar. Ou deixar. A morte que conheci aos dezesseis. Me levar aos sessenta e seis. E sem sacrilégio. Que larguei no colégio. E por sortilégio. Pergunto ao egrégio. Se morro agora. Ou no próximo mês? Agora preciso dormir. Porque sumir. É mais caro. Que sorrir. Estou bêbado de cerveja. E então ora veja. Ninguém pode confiar. E se fiar. Nas ideias profanas. Do poeta das cabanas. Onde dorme tinas e anas. Que até são bacanas. Mas não sabem chupar a porra de um caralho. Nem jogar baralho. Sem perder. E sem pender. Ou aprender. (A palavra é depender). De um otário. Reacionário. Feito este que vos escreve. E que não deve. A nenhum nelson. Nenhuma rodrigues. E especialmente a nenhuma rocha. A tocha. Que o faz viver. E a sobreviver. “Com a caridade de quem lhe detesta”. E a quem lhe resta. Que nada ainda presta. Nesta festa. Como disse Raul. E não algum profeta chamado Saul. E cujas sílabas invertidas. Subvertidas. O tornaram apenas putinha atrevida. Na janta servida. Do ditador. Que vale menos que o cocô da ferida. De um cachorro cagador. E agora penso. Um tanto propenso. E talvez hipertenso. No consenso. Da tal revolução. E lembro de uma novela. De televisão. Chamada “Redenção”. E então me sinto um fofoqueiro. Roqueiro. Que achava que Roque Santeiro. Era a liberdade de impressão. Por livre e espontânea pressão. Penso também que nenhuma senhora. Sabe a diferença entre juro e mora. E ignora. Que treze é menor que vinte e dois. E somente depois. Um ano ou dois. Implora. Sem demora. Que se cumpra a legislação. Da Constituição. E não a prostituição. Da fraudada eleição. Então falemos nós poetas. Sobre legisladores e patetas; Que acham que parir um monstro é ser obstetra. Detesto cerveja Petra. E cago um monte de bosta. Para o que você gosta. Beba na sua que bebo na minha. E como escreveu Pero Vaz de Caminha. Para com essa merda e não põe na minha. Tem aí uma latinha. De cerveja amarga? Ou outra que seja paga. De anca larga. — Porra seu babaca de merda. Lesma lerda. Que fede a merda. E acha que de mim herda. A situação. De um bosta de poeta. Falso profeta. Que acha. E se acha é porque se perdeu. No labirinto judeu. Da prosperidade. Se a seriedade. Do demônio ateu. Da perversidade. Ora ora minha saudade. Que merda de maldade. A perversidade, Fodi sua mãe? Comi sua irmã.? Aquela pervertida da Cristina — Lá vem de ovo essa história? Não penso glória. E nas máscaras de pano. Que por um ano lhe cobriram a vergonha. Enfadonha. De um escroto ditador. Que queria ser melhor que seu próprio imitador. E que que acabou como qualquer canastrão. Como ajudante. Do diretor falastrão. — Não se irrite comigo. Falso verdadeiro amigo. Que eu digo. Que contigo. É sinal de repressão. Na casa sem dono. Onde mora o corno. Que usa de adorno. Um chifre de touro. Que pensa que é ouro. O preço de sua submissão. E tolamente e organicamente. Acredita ser louro. “Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel”. Mas que por seu brasileira. E que é a freira. Que só come na terça-feira. Enquanto a plebe alcoviteira. Levanta a madeira. E lhe derruba da cadeira. Para terminar. Sem eliminar. Deixo a pergunta: Se Nelson Rodrigues fosse mulher hoje seria uma Feminista?

03/05/2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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2 Comentários
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Dinho Ferrarezi
Dinho Ferrarezi
24/05/2024 0:01

Interessante as referências e os antagonismos vomitados. E, claro, não poderia deixar de mencionar como ficou bom o mergulho linguístico/trocadinho com Nelson Rodrigues.

Dinho Ferrarezi
Dinho Ferrarezi
Responder a  Dinho Ferrarezi
24/05/2024 0:04

Corrigindo: *trocadilho

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