Antes. Muito antes. Eu me sentava na sala. E via televisão. Mas aí eles chegaram. E mudaram minha visão. E eram tantos. Que minha previsão. Se esvaiu. E caiu. E então mandei a putaqueopariu. O tal tubo mágico. Mortal e trágico. Que me distraía. E ao mesmo tempo me traia. E me possuía. Feito uma megera. Da era. Da prostituição. Foi quando percebi que a condição. Era apenas a posição. Que me sentia. Em relação. A Constituição. Parece papo de maluco doido de hospício. Mas eu tendo claro indício. E sou propício. A crer que a razão. Da existência da televisão. Era me jogar no precipício. Com a criminosa intenção. De conter a insurreição. Da revolução. E a óbvia ululante. Relutante. Modificação. Dos dogmas católicos. Caóticos. Semióticos. Da evolução. Como uma ressurreição. De um Deus sem afeição. Pela humanidade. E sem perenidade. Da razão pura. Que é a ditadura. Impura. E de si segura. Da procrastinação. Castração. Dominação. Redenção. Uma reza dura. Que não se segura. Numa simples questão. Que é se há um Deus Supremo. Porque eu tremo. Quando escuto a palavras perdão? E solidão. Porque morrem crianças. Enquanto vadias dançam. Na escuridão. E se um Deus supremo existe. Porque ainda insiste. Em deixar sofrer inocentes. Quando indecentes. Se tornam presidentes. E ainda ganham presentes. Como se fossem decentes. E não tivessem entre os dentes. As lâminas bárbaras da condenação. E assim condenam toda uma nação. Sem noção. E que aceita calada. Ser estuprada. Pelo ladrão. Sem um dedo na mão. Um mero moral anão. Que porque sim e porque não. Sem qualquer porquê ou explicação. De bandido e prendido. Vira da noite para o dia. Por maldição ou putaria. E decerto por covardia. O dono da chave que abre e fecha algemas. Em estratagemas. Que nunca ouviremos a explicação. É que democracia. A tal puta acracia. Toma banho de bacia. Mas nunca denuncia. O amigo do meu amigo. Ou o umbigo. Do antigo. Tratador de bosta de elefante. Que ficou milionário. Com o centenário golpe. Que vem à galope. Da instituição. Da descondenação. Da política coordenação. E da ordenação. Do carrasco sem cabelo. Que tem por apelo. A figura de um vilão. Estereótipo de bandido. Nunca contido. Por nenhum herói de capa e espada. Que nunca desce escada. E troca de roupa no orelhão. E que sem óculos de grau. Tropeça no degrau. —. Todos os dias acordo cedo. É que tenho medo. Que descubram meu segredo. Quando eu acordar. E me incomodar. Também porque é de manhã que prefiro peidar. E incomodar. O infeliz do vizinho do andar superior. Que se acha criador. Comedor da vizinha. Que antes tinha. Mania de dar. A quem pudesse pagar. E cagar na lixeira. E andar sem eira. Fodendo na beira. Do altar. Sem o padre consultar. Na missa escutar. A pregação do religioso. Que achava gostoso. Experimentar. E assim se alimentar. E amamentar. A imunidade parlamentar. Fomentar a intriga. E a briga. Sobre quem pode fumar. Ou exumar. O cadáver em decomposição. Enterrado no Cemitério da Consolação. Desconsolado. Feito peixe embriagado. Ensaboado. Endiabrado. Que não se chama Wanda. Que não é quem manda. Mas como Almirante comanda. A embarcação. E que por mera acomodação. Espeta uma dura estaca. No meu coração. E se destaca. No meio da procissão. Apago agora a vela. Que a mim mesmo revela. O poder da contradição. Pois sempre pensei que a luz. Aquela que à liberdade conduz. É aquilo que filosofei como poeta. E fiz poesia como profeta. É apenas um buraco na escuridão. Embora. Exatamente agora. E sem demora. Reconheça. Na minha cabeça. Que luz não existe. Como aquela coisa que insiste. Resiste. Mas no fim morre de solidão. Abraçada pela Rainha da Escuridão. Quanto à mim. Encaro meu próprio fim. Assim: Sou da Lua. E na minha rua. Nua. Apenas desfilam as sombras e sobras. As sobras. Do perdão. E da escuridão. E ontem até pedi perdão. Ao padeiro que assou meu pão. E disse não. Ao açougueiro. Que me disse que a carne era de carneiro. Quando era filéminhão. Então desfila na minha rua. A vadia nua. Que finge que diz não. Anda na contramão. E sobe na mudança de um caminhão. Fingindo que é mosca. Uma barata tosca. Que passeia na sopa nojenta. Do prato da estação. Que o prefeito sujo. Outro silvasujo. Cobra da população.
06/05/2024


Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.
