Vômito de Metáforas | A Mentira é a Mãe da Humanidade (Ou: O Que Arde Também Não Cura)

Há pouco deixei no grupo do Whatsapp: “hoje não tem vômitos de metáforas”. Desculpem, eu menti. Mas não me culpo, porque, afinal, que poeta não mente? Não fosse a mentira não haveria poesia. Poesia é enganação, fraude, disfarce. Qualquer poeta é um mentiroso nato, pelo lado bom da mentira e pelo lado ruim da mentira. Que absurdo! Disseram. A mentira é sempre ruim, sempre má. Ah, os hipócritas… O que seria do mundo sem eles? Acabaria em uma semana. A mentira, quem nunca disse? A mentira é a coisa mais verdadeira que existe. Haja vista! Tudo o que sabemos, vemos, vivemos, etc. é tudo construído pela mentira. Olhe ao seu lado. Olhe para si. Olhe para sua história. E olhe para a história do mundo: Mentira. Mentiras. Mentira mentirosa. Para o bem que nunca é tão bem. E para o mau, que nunca é tão mal. Ou o inverso da semântica, a mentira impera. Rainha. Pense num vírus ou coisa parecida, que nos impedisse de mentir. Um único dia. No segundo o mundo teria acabado. Quem assistiu “A Invenção da Mentira”? É uma fábula. Anti esquerdista, anti direitista. Anti conformista. E a merda que deu quando alguém resolve agir contra a corrente… E mentir. Numa sociedade que, por algum motivo nunca explicado… Nunca mente. Pense em quantas mentiras já escutou desde seu nascimento. E em quantas disse. Não sinta vergonha! Mentir é tão humano quanto respirar. Foder. Suar. Cagar e outros “ar”. Aliás, mentir é nosso ar. Sem mentira não há sociedade. Não há capitalismo. Não há comunismo. E nenhum ismo conhecido. Ah, a sagrada mentira de todos os dias, que nos dão o pão nosso, o “padre nosso” e todos os nossos. A mentira é nossa, como a cor dos nossos olhos e peles. Como nosso jeito de caminhar e nossa forma de ser. E de estar. E por ela… Não é com ela. Que conseguimos nosso sustento. Com ela fodemos. Com ela sobrevivemos. Com ela e por ela vivemos. E morremos. Olhem ao seu redor. Ah, mas dirão: políticos mentem. Sim, políticos, policias, comerciantes, poetas, mascates, pais, mães, irmãos, filhos. Todos mentem. O pai mente. O filho mente. E o espírito santo também mente. Tudo é mentira. E mentem aqueles que dizem que não mentem. São piores que os mentirosos contumazes. Mentir está no DNA humano. Cachorros mentem? Gatos mentem? Bactérias mentem? Claro que não. Apenas aos humanos é dada essa capacidade absurda, pelo mal ou pelo bem, de mentir. Mentir é necessário à sobrevivência da raça humana. Então, não me critiquem nem me condenem porque menti. Amanhã nem irão lembrar-se das minhas mentiras, que são tão absolutas quanto às verdades que eu nunca disse. A Mentira é a Mãe da Humanidade. Ontem escrevi um um monte de palavras de baixo calão. E depois pensei: o que de mim falarão? E então soltei outro palavrão. Que dizia fodam-se os que se vão. E na minha poesia. Que algo dizia. Sobre hipocrisia. E não condizia. Com a atual situação. E que se parece em tudo com prostituição. Sem de novo querer rimar com Constituição. Mas que por mera intuição. E falta de educação. Sou como fui obrigado. Pelo juiz e pelo delegado. Por quem fui intimado. A dizer que nunca fui amado. Muito menos pelo investigado. Por não se ter vacinado. E ter assassinado. A corrupção. E que mesmo tendo assinado. Sua própria rendição. Ainda foi discriminado. E eliminado. Da próxima eleição. E assim ensinado. Que não é como campeão de nado. Que se ganha uma competição. Mas com o agrado. Ao senhor da Prostituição. E a nova e a velha nova… Constituição.— Ontem escrevi um monte de palavras de baixo calão. E depois pensei: o que de mim falarão? E então soltei outro palavrão. Que dizia: fodam-se os que se vão. E na minha poesia. Que algo dizia. Sobre hipocrisia. Não condizia. Com a atual situação. E que se parece em tudo com prostituição. Sem de novo querer rimar com Constituição. Mas que por mera intuição. E falta de educação. Sou como fui obrigado. Pelo juiz e pelo delegado. Por quem fui intimado. A dizer que nunca fui amado. Muito menos pelo investigado. Por não se ter vacinado. E ter assassinado. A corrupção. E que mesmo tendo assinado. Sua própria rendição. Ainda foi discriminado. E eliminado. Da próxima eleição. E assim ensinado. Que não é como campeão de nado. Que se ganha uma competição. Mas com o agrado. Ao senhor da Prostituição. Da velha nova e da nova velha… Constituição. Que minha nova velha intuição. Me diz que é muito bem parecida. Com uma velha Lei por décadas desaparecida. E que por tempos ficou conhecida. Como Ditadura. Que apenas não apenas arde. Como não cura.

27/03/2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

COMPARTILHE O CONTEÚDO DO BARATAVERSO!
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Mais Recente
Mais Antigo Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

×