Montagem: Barata - Foto Original: Posse-de-Ignacio-de-Loyola-Brandao-na-ABL-18-Out-19-Richam-Samir

Vômito de Metáforas | Ignácio de Loyola Brandão Não Mora Mais Aqui. No Araraquaristão

Não. Não são aplausos que desejo. De uma plateia surda. Nem loas De uma plateia de atoas. Não me levem a mal. Mas quero risos e gozos. Quero risos gostosos. Audaciosos. Gozosos. OldmanGonzos. O auspicioso momento. Saboroso. Espinhoso tormento. De tardio reconhecimento. Que por momento. Deixei de esperar. Feito noiva traída. Não beira do altar. Não. Não espero plateia. Nem alcateia. Apenas a ideia. Reconhecida. Parecida. À esquecida. Santa de altar. Que não faz milagres. A tal Democracia. Santa estuprada. Degenerada. Desesperada. Mal amada. Desgraçada. Não quero pódio. Rima de ódio. “De chegada nem beijo de namorada”. Quero ser lido. Debatido. Comentado. Xingado. Elogiado. Criticado. Não quero sucesso. Sucesso já sou. Por ter feito. Perfeito. Ou imperfeito. Do meu jeito. Mas feito. Não quero ser estrela. Brilhando no céu das capas de revistas. Capas de jornais. Jamais. Ademais. Não quero ser garoto propaganda. De editora. Infratora. Nem ser exemplo de superação. Nunca foi minha intenção. Quero apenas atenção. Ao que fiz. Faço. Farei. O romance lido. O poema escutado. A crônica sentida. Não quero ser noticiado. No Jornal Nacional. Em horário nobre. Como o escritor pobre. Que agora é um Imortal. Da Academia. E usa fardão. De General. Não quero palmas. Quero almas. Não quero diploma de mérito. Placa de bronze. De prata. Nem de ouro. Quero meu tesouro. Em forma de atenção. Respeito. Reconhecimento. Por merecimento. Da obra. De sobra. Algum dinheiro. Não quero ser mártir. Partir na merda. Deixando a quem herda. O fruto do suor. Pensamento. Lágrimas. E sangue. É que estou cansado. De nunca ser lembrado. Em nenhuma lista. De artista a jornalista. De nunca ser chamado para festa de premiação. Nem ao menos de condecoração. Mesmo que como decoração. Uma estátua viva no meio da sala. Onde o companheiro. Amigo do ditador. Recebe a faixa. E uma caixa. Cheia de medalhas. E outras tralhas. E homenagem na rua. Junto à placa de mão única. E uma túnica. De santo. Enquanto meu canto. Que causa espanto. É sufocado. Enforcado. Jogado. No fundo de uma gaveta. Lata de lixo. Ou incinerador. Do prefeito ditador. O que faço com minha poesia rimada? Minha escrita mimada? E minha crônica ritmada? Queria ao menos uma centena. Podia ser mesmo uma dezena. De leitores. Das trinta obras barateanas. Tenho cinquenta anos de fúria. Putaria. E juraria. Por tudo que não tenho como sagrado. Que de bom grado. Aceitaria. Uma louvação. De coração. Adoração? Não! Minha escrita é meu remédio. Para o coração. Para a cabeça. Até para meu pau. Não sou mau. Nem o tal. Apenas quero o direito. De ser o sujeito. Com defeito. Com um livro em cada mão. E câncer no pulmão. Mas não. Não parto assim. Longe meu fim. Eu. Que fui abortado no nascimento. E fadado ao esquecimento. Ainda espero o momento. Mesmo que seja no último momento. Meu último suspiro. Nalgum retiro. De idosos. Rancorosos. No Araraquaristão.

13/04/2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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