Quero meter. Disse eu a mim mesmo antes de Me Ter. E aí fiquei pensando se quero a mim mesmo. Assim à esmo. Ou se quero me ter-me como posse. Ter-me como tenho minha gloriosa tosse. E de posse. Da minha propriedade. Agir como se fosse bondade. Quem sabe fique na média. De uma Divina Comédia. Ou de uma humana tragédia. Como me contou Donana. Criatura desumana. Que um real compra uma banana. Mas ela mesma se engana. Porque acha bacana. Ser petista. Esquerdista. Que acredita em picanha. E se banha. Em carniça. Apenas porque tem preguiça. De raciocinar. O cérebro acionar. — E penso por hoje e agora. Que mundo a fora. Existe uma dita senhora. Que ainda acredita. Que tudo que reluz é ouro. Enquanto eu, bravo feito touro. Ainda acredito no estouro. Da boiada cega. Que ainda não sabe se nega. Ou renega. O que prega. Como regra. O malfeitor. Que mesmo sem eleitor. Acredita ser o benfeitor. Apenas porque sempre foi um sem dedo e sem qualquer segredo. Finge que gosta de trabalho. Mas que meu caralho. Gosta de dormir. No meio do expediente. Como se ser presidente. Fosse ser indiferente. Ao que sente. A população indigente. Mas ainda existe um povo. Que ainda e de novo. Não resiste. A alguém com cabeça de ovo. Que fala em justiça. E defende o Carniça. O Deus da preguiça. Que ainda atiça. O eles contra qualquer oposto. Que seu desgosto. É saber que seu posto. Foi imposto. Pelo suposto. Federal Supremo. Extremo Nacional. E antes que me algemem. Aqueles que me temem. No confinado da Papuda. Rezo com um galho de arruda. Que a senhora do Rosário me acuda. Mesmo sendo eu um satânico. Que sempre entra em pânico. Quando se trata de ser policiado. E ser sentenciado. Apenas por ter estacionado. Meu sapato. No lugar errado. Onde o Guarda Noturno. Aquele que é tão gatuno. No período noturno. É claro que posso morrer antes de terminar de vomitar. Então não vou me limitar. Morro com uma gargalhada nos dentes. Sabendo que presidentes. E outros indecentes. Aqueles que amam presentes. E se acham os proprietários. Dos proletários. Que morrem de tristeza. Com sua maldita Natureza. Que sempre age com frieza. Quando se fala em vingança. Que é a última dança. Que nossa esperança. Pode dançar. E assim, mostro meu caralho ereto. Quase reto. Como se fosse o mastro da última bandeira. Brasileira. A tremular. Ou como o último poeta que escreve sua última estrofe. E depois coloca no cofre. Um livro e dois pares de cuecas. E revistas pornográficas suecas. Antes de fechar os olhos pela última vez. Sabendo que morrer não é talvez. Enquanto os urubus se alimentar da minha carne apodrecida. Que cheira uma coisa parecida. Com o rabo do homicida. Um urubu é apaixonado. Pelo porco barbado. E o outro é um tarado. Pelo rato depilado. Enquanto fico eu aqui deste lado. De medo congelado. Mas ainda me mostrando pelado. E com meus pés sujos filosofando. Até não sei quando. Que um crente diria: “Até quando Deus quiser”. E o Demônio não se opuser. Querem que eu acredite na existência de o tal de Deus. Rei dos sandeus. E suas estátuas de museus. Creio mais nos meus próprios eus. — Penso agora naquele piranha gris. Que era conhecida por Cris. E que de mim fez o que quis. E depois que enjoou me desquis. Não esqueço dos litros de melado de sua buceta escorrendo. E como parecida estar morrendo. Quando ia gozar. Quando eu fazia lhe sodomizar. Tinha pés de criança a pequena. E uma buceta nada serena. Que sempre valia a pena. Chupar como quem chupa uma fruta sem caroço. Ou como um vampiro ao pescoço. De prazer era um poço. Aquela peituda. Que para minha desgraça era também sapatuda. Baby Cris. A cachorrinha gris. Amava a Beety Boop. Boop-boop-a-doop. E tinha tatuagem na buceta. Feita a caneta. Da tal cadelinha bochechuda. Igual a ela cabeçuda. Bem que tentei adestrar a cadela. Mas depois que me mordeu no rosto. Perdi por ela. Todo o meu gosto. Resta em agora apenas a lembrança do melado. E também do sujeito pelado. Que encontrei dentro do armário. Que em sumário. Era ninguém menos que o pai da imunda. Que lhe fodia na bunda. Com medo de engravidar. Aí cheguei a duvidar. Da sanidade do homem da Congregação. Porque da cadelinha eu já tinha noção. Fui então embora. Naquela mesma hora. Deixando na sua cara de cachorro sem dono. A marca da patada de um corno.
14/05/2024


Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.

Me ter-me foi espetacular ! 👋👋👋👋
As palavras foram criadas para serem brinquedos nas mãos de quem sabe brincar. Há quem as leve à sério. Eu não!
O pema promove um interessante jogo de palavras multifacetado! Gera reflexões e interpretações variadas ao gosto do leitor!
A intenção desses textos é justamente promover esse jogo de palavras. Como respondi ao Vinnie, acima, as palavras , foram feitas para serem brinquedos. E adoro essa brincadeira. Obrigado por comentar.
Barata, o Bocage dos trópicos, sempre atual e pertinente!
Já me chamaram de “Bukowski de São Paulo”, mas creio ser a primeira vez que aparece Bocage.
Barata, Bocage, Bukowski… Tudo com “B” … De buceta!