Vômito de Metáforas | Afabilidade: Eu Sou o Rosto de Ninguém

Quem é eu? Quem sou nós? Esta é a pergunta. Esta é a questão. Tento responder por mim, perguntar por mim. E a pergunta e a resposta nunca tem fim. Aprendo com meus erros e erro com meus aprendizados. Puta que nos pariu. Super heróis de esquerda ou de direita. Mundo doente. Brincar de ser doente é a moda. Ser autista, sufragista, calvinista. É a moda fetichista. Dessa manada progressista. Onanista. Ativista que não ativa. Nem cativa. Que se finge de artista. E se tinge de preto. Para comer o opressor. O professor. E o confessor. Podófilo, anófilo. E qualquer ófilo que se possa encontrar. Fervo o frevo. Coleciono trevo. Mas, o sêrvo… É que me dá nos nervo. E olhe que meu acervo. De merda está cheio até a tampa. Fossa cética. Séptica. Hermética, em ordem alfabética. Estética. Eu, que fui condenado. Sem ser julgado. Apenas subjugado. E perante o delegado. Fiquei calado. Com medo de ser ajuizado. Por crime tratado. Como se fosse pecado. Falar do Estado. Do desgraçado. E do namorado. Do sentenciado. Do anestesiado. Ou do soldado. Pobre coitado. Desolado e sem razão. Que se cala por prevenção. Diante de baionetas caladas. Num céu de Brigadeiro. E minhas célebres punhetas se calam. Alagadas. Largadas a mesmo. Fritas feito torresmos. Quentes e duras. Quem é eu? Quem sou nós? Quem será vós? Perguntas caladas. Respostas descoladas. Da realidade. A bem da verdade. A pergunta tinha que ser o quê. Não quem. Franquistem. O que é que tem? Nem vem! Lamento os filhos que impedi de nascer. Por causa das punhetas. Das camisinhas. E das bucetas de aluguel. E mais ainda lamento. Os filhos que me perderam. Por causa do capeta. De um dedo a menos. E da crente. Com um segredo a mais. Ademais. Não lamento minhas perdas. Não festejo meus ganhos. E nunca procuro o responsável. Pelo meu insucesso. Que sempre foi o meu fracasso. Ou o oposto. Ao seu próprio gosto. Desgosto. Desgosto de desgostar. E então torno a perguntar. Quem é eu? Quem sou nós? Vós e avós. Nós na garganta. Nós na corda. Copio e colo. Ctrl+C – Ctrl+V. A frase da pergunta principal. E em frente à Prefeitura Municipal. Encaro o Prefeito. Um mau sujeito. Que pelo pleito. Sempre dá um jeito. Um tiro no (meu) peito. Com efeito. Seria o único feito. Crime perfeito. Com efeito. Por fim e por meu direito. Rejeito. A afabilidade. Uma crueldade. E pergunto ao Questão: qual é a questão? E ele responde: “O Afável é Uma Indiferença Amigável”. Muito amável de sua parte, Questão. Ser ou não ser, qual é mesmo a questão? Onde coloco o ponto de interrogação? Faço questão de não responder. Agora preciso ir. Tenho que vomitar o que não comi. É sempre assim. Me embrulha o estômago. Meu tanto falar. Então preciso calar. E vomitar.

04/04/2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

COMPARTILHE O CONTEÚDO DO BARATAVERSO!
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Mais Recente
Mais Antigo Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

×