Estou numa quarta feira. Sem eira nem beira. Querendo uma esteira. Onde eu possa deitar. E aceitar. Minha sina. Assassina. De pleitear. Um altar. Na igreja dos mortos. E dos tortos. Marinheiros. Sem dinheiros. Nem companheiros. Que caíram. Em desgraça com o mar. Sem saber. Que bobagem é desgraça pouca. Feito Luca. A se alimentar. E nenhuma porca. Para ou de. Se alimentar. Eu apenas quis amar. E nunca mamar. Nas tetas. De quem nunca quis me alimentar. Elementar meu caro Sherlock. E tome um Rock. Que assim meu choque. É menor do que te matar. De susto. Quem eu venha a matar. No Qatar. Ou em outro lugar. Ora. Pois vá se catar. Porque em seu lugar. Eu teria ido alugar. Uma caverna. Nalguma guta eterna. E convidado a Sara. A Dara. Ou qualquer outra. Puta. Amiga. Da Tina. Que era albina. E que lançava serpentina. Para eu me enforcar. E agora. Não sei que hora. Desta quarta. Que não feira. Que não cheira. E apenas fede. Igual àquele que não mede. O que sucede. Mas procede. No seu único sentimento. Que é o alimento. Do se pobre chegar. Até o momento. De suicidar. Mas agora chega o instante. Restante. De perguntar. Aos que podem escutar. O tamanho da bala. Que resvala. Sem escala. Antes de me acertar. Diziam focinho de porco não é tomada. E o oposto não é nada. Levem o condenado. Ao cadafalso. E tirem a corda. De seu pescoço. E coloquem no carrasco. Que é tão moço. E não sabe enforcar. Levem o último almoço. Ao enforcado. Para ele comer antes de vomitar. Ontem foi terça. E antes que esqueça. Que algo em mim apodrece. Preciso contar. Que colhi flores. No jardim da minha infância. Sem ganância. Apenas para cheirar. Mas aí chegou um calvo. E um sem dedo. E fez de alvo. Meu segredo. Eu tenho medo. Não sou de ferro. E sempre erro. Quando tento acertar. Agora escute bem. Que não tem. Ninguém. Que seja tão fraco. Que não possa ser um carrasco. Tenho asco. E gasto meu casco. Para poder chegar. Enxergar. O caminho da terra santa. Antes da hora da janta. E por tanta caminhada inglória. Entro para a história. Como alguém que nunca chegou a nenhum lugar. Apenas foi incapaz de alugar. Um terno de linho com gravata borboleta. E sapato de etiqueta. Para ir à festa que não foi convidado. E ficou na porta parado. Com cara de coitado. Sou o cara errado. No lugar certo. Ou o cara certo. No lugar errado? Essa é a pergunta de um milhão de centavos. Ou outro quinhão dado aos escravos. Na Guiné Bissau. Ou Equatorial. Enfim acabou a quarta-feira. Agora já é quinta. E tenho que comprar a tinta. Para imprimir meus pensamentos sujos. Tem que ser preta. Porque a vermelha escorre. E eu não tenho tempo para limpar. Preciso também ir ao Pontilhão da Barroso. E saltar para o ar. Antes de estourar a cabeça. No asfalto da Expressa. Mas não tenho pressa. De me matar. Por isso vou bem devagar. Com medo de chegar. E por sorte. Carregar a culpa de minha própria morte. Assassino de mim. Será esse o meu fim?
18/04/2024


Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.

Você tem a promessa de uma vida longa. Use o pontilhão para que foi feito: atravessar, ir de lá para cá. O mergulho no esfalto da Expressa não pode ser uma possibilidade.
Agora ficou mais difícil, porque “i prefeite” que adora grades, aumentou a altura das grades, que antes eram uma espécie de “suicidródomo”.