Montagem: Barata

Vômito de Metáforas | Não é Crime Escrever Idéia Com Acento. Ainda Não!

Quem tirou a porra do acento de idéia? Quem foi que teve essa infeliz ideia? Deve ter sido uma centopéia. — de onde também tiraram o acento — Humana. Que come a bosta do que está na frente. Isso nem é gente. Imagine esse absurdo. Abcego. E abmudo! Aliás agora é proibido o criado-mudo. Criado-surdo pode? Ah. Não fode! É a tal. Da Reforma Gramatical. Eu sei. Mas para que reformar o que funcionava bem? Hein?! Não vem. Que não tem. Deve ser algum comunista. Desses metidos a artista. Que gosta de dar entrevista. Na televisão. Gente sem visão. Sem tesão. Tirar o acento da ideia. Péssima idéia. E um dos “esses” de assento? Também tiraram? Tira acento põe assento. Nem sei onde sento. E onde acentuo. Mas de Pornomatopéia ninguém põe a mão. Porque essa fui eu que criei. Então é com acento. E com assento. Porque ponho o acento. No lugar que eu quiser. “O criador cria. O parasita destrói”. E se me disserem que destrói também não tem acento. Eu sento porrada. Pegam a porcaria. Da etimologia. E então acabam com a função das palavras. Que é simplesmente comunicar. Para que complicar? Deixem quietas as palavras. Que são minhas lavras. Não suas larvas. Vão às favas. Malditos desacentuadores de palavras. Nem sabem a diferença. Entre igualdade e liberdade. Nem conhecem a semelhança. Entre Guerra e coletivismo. Percebem porra nenhuma. Merda alguma. Aliás tiraram o de coco também. Só ficou em cocô. E se o sujeito esquece? Fodeu. Ele caga coco. E come cocô. Ou seria o inverso? Tanta coisa que podiam mexer. Como político. Que ainda tem acento. E tem assento também. E não tinha que ter. O assento. O acento nem faz diferença. O que devia era a palavra ser suprimida. A palavra não. Reformulo. Sim a coisa que ela representa. Tinha que ser palavra morta. Sem uso. Pelo abuso. Mas não. Simplesmente foram tirar o acento de idéia. Eu tenho até dificuldade de digitar. Idéia sem acento. Tiraram hífen. Também do hímen? Hímen sem acento não existe. Porque aí não seria mais virgem. Imaginem! Virgem nunca teve acento. Só assento. No convento. Buceta ao vento. Cada coisa que eu invento… Eu tento. Ser correto. Ser normal. Ser escritor. De romance sério. Falando de cemitério. Mas meu deletério. É foder com essa merda toda aqui. Cansei de escrever poesia quadradinha. Quatro por quatro estrofes. Ah. Não tem mais acento em estrófe. Já teve? Sei lá!. Ah… O lá ainda tem. E o cá? Brigo com o corretor automático. Que ainda tem acento. Tão dramático. Ele muda. E eu desmudo. Preconceito da porra desse programa de computador. Um ditador. Mania de querer pensar por mim. Digito no Bloco de Notas. Texto puro. No duro. Sem frescuras. Nem clausuras. Visuais. — Preciso me concentrar na idéia. Com ou sem acento. Nada me proíbe. E nem me interessa saber se proibe tem ou não acento. Outra que tinha que ser proibida. Ato falho meu. Desculpe nossa falha. Mas enfim. Remover o acento de idéia. É coisa da Novilíngua. Que estabelece o Crimidéia. Na República com acento. Comunista do Braziquistão. Onde qualquer regra. Da gramática com acento. A matemática também. Passando por qualquer outra. Com ou sem acento. É cagada do assento. Do Imperador. Ditador. O que resta? Ao menos ainda não é crime escrever idéia com acento.

16/04/2024

“Cada vez que uma palavra se torna proibida, você remove uma pedra do alicerce democrático. A sociedade demonstra sua impotência em face de um problema concreto, removendo palavras da língua.” – Personagem Joe, de “Ninfomaníaca”, de Lars Von Trier, 2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

COMPARTILHE O CONTEÚDO DO BARATAVERSO!
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Mais Recente
Mais Antigo Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

×