Vômito de Metáforas | Henry Miller, Eu e a Puta Desgraçada Que Nada de Braçada

À noite eu sempre bebo. E então fico soberbo. E nem percebo. Feito um mancebo. O que escrevo. Porque devo. Escrever e vomitar. Que não rimo com imitar. Porque seria muito fácil irritar. O parco. E fraco. Leitor. Que é sempre um imitador. Eleitor. Do malfeitor. Que só virou presidente. Porque o oponente. Era tão burro. Que se deu de presente. Ao imponente. Conquistador. E assim virou Imperador. Que não posso chamar de Ditador. Porque a fama. É de quem deita na cama. E quem mama. É o semumdedo. Cujo segredo. Tarde ou cedo. Por toda sua prostituição. Pagará na extrema unção. E assim será por minha presunção. A vingança de uma nação. Todas as noites escrevo. Sobre o que não devo. E mesmo assim não prescrevo. E nem sei se devo. Escrever. Para assim sobreviver. Como forma ou maneira. Tanta besteira. Aí encontro um podre pedaço de madeira. E por falta de eira. E de beira. Minha última asneira. Inteira. Não é acordar. Zumbi velho tecnológico. Ser ilógico. Que não queria mesmo incomodar. E se acomodar. E viver sua própria vida. E lamber a ferida. Sem ser obrigado a se mudar. Todos os dias bebo. Muito. Fumo. Demais. E escrevo esses vômitos de metáforas. Coisas que a muitos não tem nexo. Mas pergunto agora perplexo: Qual é o nexo. Que há no sexo? Nexus. Plexus. Sexus. Aprendi isso na trilogia do Miller. Que li na adolescência e ainda trago comigo. A forma de me expressar. Valentine Miller era um sádico. Dramático. Pragmático. E escrevia como quem bate punheta. Porque nunca fodeu uma buceta. E fodia como quem escreve uma novela de terror. Um horror. Mas seja como for. Valentine era um escritor. Pouco ator. E que sabia compor cenas pantagruélicas. Sobre putas angélicas. E evangélicas. Até coisas bélicas. E sua Crucificação Encarnada. Não significa nada. Não consigo falar de Miller no singular. E fotografar sem grande angular. Sem formular. Ou emular. Sagradas prendas. Às suas mal tecidas. Emendas. E bem reconhecidas. Oferendas. Penso nos Livros da Minha Vida. Relembro o Mundo do Sexo na Primavera Negra. Releio na memória os Trópicos. E ensaio um Sorriso Ao Pé da Escada. Agora encaro sua corrida estética. Como se fosse tão ética. Quanto um guarda-chuva. E tão pura quanto a vulva. De uma viúva. E assim por fim encaro Rimbaud e suas Temporadas no Inferno. Na Hora dos Assassinos. — Agora toquem os sinos. Que é hora de deitar. E tentar dormir. Sem escutar. O lamento dos tolos. Dos meninos. E dos cretinos. Que preciso acreditar. Meditar sobre a moléstia sacrossanta. E todos os dias bebo um monte. Fumo outro tanto. E há quem me conte. Que tenho meu direito sacrossanto. De morrer quando eu quiser. Parar de sofrer. — Palavra maldita — e tentar não ser. Mártir ou santo. E rimar canto com pranto. Porque quando se perde da vida o encanto. E nem consegue mais falar que é vida aquilo que tem. Mas resistência. Ou mera coincidência. Ainda sobreviver. A ânsia de vômito. A tosse. As novas dores todos os dias. Ficar velho é uma merda. E quem fala bonito sobre a velhice. É jovem. Tolo. Ou as duas coisas. — Espasmos de pleonasmos.— Ou é mesmo um cretino. Hipócrita do caralho. Talvez tenha grana. Para caros médicos. Tratamentos na porra da fonte da juventude. E comprar prótese peniana. Caixa de Viagra. Tadatafila. Injeção na merda do pinto. E comprar uma Harley Davidson. Comprar uma jaqueta de couro. E pensar que é um touro. Curtir um roque. Pentear um coque. E foder menininhas. Com a idade de suas netinhas. Que gostam do dinheiro. E fodem depois com o engenheiro. Depois contar vantagem. Mostrar a imagem. E ter a coragem. De aparecer. Como se ele mesmo pudesse ser. O Garanhão Italiano. Imperador Romano. Mas é só um completo paspalho. Que dá trabalho. Para vestir a cueca. E montar o andador. Ademais. Tem mais. Não pensem que envelhecer é poder de santidade. Porque a idade. Não faz um canalha. Um Metralha. Ou um Petralha. Virarem santos. Porque um canalhapetralha. No fio da navalha. Não falha. Em ser apenas o canalha velho. Mau caráter velho. Traste velho. Lixo velho. Velhice não é crendice. E quem foi que disse. Que canalhice. Tem remédio ou tem cura. E tem a crendice de que “quem é bom já nasce feito.” Então se pensa que um sujeito. Que nasce morre direito. Mas eu suspeito. Que não tem jeito. Porque há tanto prefeito. Que de tanto malfeito. Acaba por ser eleito. Por um longo pleito. Antes da velhice. E na sua eterna canalhice. Inventa até um vice. Que até disse. Que “o ladrão quer voltar à cena do crime”. E assim funciona o regime. E há ainda quem reprime. Quem se exprime. Em metáforas malfeitas. Mas direitas. Sobre as coisas direitas. Insuspeitas. Mas que não podem ser feitas. Ou eleitas. Porque são suspeitas. De subversão. E na nova versão. Da Constituição. Na Casa de Prostituição. Pondera que eleição. Apenas tem validade. Se for na qualidade. De que vence o perdedor. O tal velho cagão. Mijão. Sem um dedo na mão. Que saiu da prisão. Por um ato de provisão. E da lei cagada. Com a plebe enganada. Que não é nada. Perante a norma culta. De um filhodaputa. De camisolão. — E agora percebo que seus olhos se avermelham. E se assemelham. Ao que aconselham. Chamar pelo nome de chorar. Mas não precisa decorar. A reza maldita. Porque ninguém mais acredita. Em choros vagos. E que foram pagos. Pelos estragos. Causados. Por toda sua má intenção. E sua propensão. De chutar tudo que é prezável. E adorar o Inominável. Descartável. Egresso da prisão. Não se preocupe em perdoar. Porque perdão seria doar. O próprio coração. Mas por opção. Optastes por não ter nenhum. E sou eu apenas um. Sem partido algum. Apenas partido ao meio. E com receio. De ir. Sem sentir. Qualquer coisa que não seja nada. Numa desanimada. Morte sem decoração. Ou aflição.

05/05/2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

COMPARTILHE O CONTEÚDO DO BARATAVERSO!
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Mais Recente
Mais Antigo Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

×