Vômito de Metáforas | “Aqueles Que Vão Morrer os Saúdam”, Imperadores Eunucos e Assassinos Caducos

Agradeço agora feito o jogador suplente. Aos que foderam minha mente: A vadia crente. A evangélica descrente. E a nazista descontente. Lembrando que se uma era doente. A outra indecente. E a última ineficiente. Por coeficiente. Inconsciente. Então como posso acreditar num Deus senciente. Que deixa morrer inocente. E crescer a erva indecente. Um Deus doente. Morto antes da existência. E que pela própria incompetência. Tenta ainda convencer a audiência. Que tem a jurisprudência. Ou num falso Deus da Ciência. Para dominar o mundo. Com um jeito rotundo. De nos chupar nosso pescoço nu. E depois nos foder dolorosamente. No meio do cu. E agora. Que me passa a hora. Concluo que o prego. E tudo aquilo que carrego. E não renego. É tudo que eu entrego. Como um cego. Assistindo televisão. Enxergando claramente sua visão. Agradeço agora o emprego. De vendedor de churrasco grego. E o subemprego. Fazendo o papel de borrego. Sou agora eternamente grato. Por me deixarem comer o resto do prato. Com comida de rato. E molho barato. Agradecido sou demais de comer as sobras. Das venenosas cobras. Que queriam me envenenar. Me apequenar. Me enervar. Até o ponto de tentar. Atentar. Contra minha própria existência. E só com muita persistência. Tive a decência. De sobreviver. Porque há muito não chamo mais de viver. Aquilo que levo. Apenas enlevo. E relevo. Tudo aquilo que pode me destruir. De mim usufruir. E assim excluo. Ou destruo. Aquilo que pode me fazer mal. E sobre mim jogar a pá de cal. Não importa se é açúcar ou sal. Mas que não preciso de sufrágio universal. Para manter longe da minha vista. Quem não lê minha revista. Não vê minha entrevista. E que acha que é bom ser comunista. E quem pensa oposto é fascista. Agora não posso esquecer. Também de agradecer. A quem que me fez enlouquecer. Para depois desaparecer. E claro que agradecimentos ainda tenho que fazer. Aos que por puro e perverso prazer. Ou mesmo por alegria ou lazer. Deixaram minha alma se liquefazer. — Mas agora penso que agradecimento. É tão pesado quanto um saco de cimento. Que eu não consigo carregar. Sem escorregar. A beleza do lugar. E pergunto a mim mesmo agora. Se seria mesmo a hora. Ou se ainda me demora. A chegada da Velha Senhora. Talvez seja apenas o ensejo. Antes do cortejo. De ser grato pelo ensejo. De quem suportou meu desejo. Que não foram a crente vadia. A evangélica pouco sadia. Ou a nazista sem moradia. Penso apenas que hoje em dia. A quem eu preciso dar gratidão. Àquelas que com mansidão. Sabiam que não era escravidão. Chupar meu pau na escuridão. A essas tenho sim. Antes do meu fim. Tratar com afeto. Porque outras jogaram um feto. Na privada por decreto. De um inseto. A essas minha gratitude. E que tenham a plenitude. Por meritude. E a essas eu brindo: saúde! Amiúde. Eu queria mesmo poder agradecer meus filhos da puta. Mas a astuta. A imunda crente poluta. Apagou minha luta. E entregou os bastardos. Que não foram abortados. A serem adotados. Pelo maldito Inominável. O ser mais abominável. A pisar sobre esta terra. E que até a mãe enterra. Para poder se eleger. Reeleger. E trieleger. Achando que assim possa absoluto reger. Portanto assim renego. Como se fosse eu um cego. Enxergando na escuridão. A toda essa podridão. Por tudo isso não peço nem aceito perdão. Rumando sem medo para o paredão. Rumando ao nada da imensidão. E que quase tinha me esquecido. De ter agradecido. Por nunca ter pertencido. Ao muito aborrecido. Clã da Família Cichetto e qualquer agregado. Por terem a mim obrigado. A estar desabrigado. E cair embriagado. Por ser expulso do palácio construído. Que foi como o resto destruído. Que fiquem, irmão, pai e mãe que me mataram. Com os tijolos que sobraram. Da minha demolição. E assim dessa forma talvez aprendam alguma boa lição. E agora me despeço. E nada mais lhes peço: Boa viagem aos que ficam. Bons sonhos aos que edificam. Bom consolo aos modificam. E boa morte aos que crucificam. “Aqueles que vão morrer os saúdam”, imperadores eunucos. E assassinos caducos.

15/05/2024

Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição:
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500

Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador

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Luiz Alberto F. dos Santos
Luiz Alberto F. dos Santos
29/05/2024 8:55

Texto direto e contundente, o qual denita uma visão própria e sincera dos que nos rodeia, talvez agradando alguns e escandalizando outros!

Conteúdo Protegido.
Plágio é Crime!

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