Reclamam de mim. Que misturo putaria com política. E até com poesia. E filosofia. Mas pergunto aos leitores incautos. Pacíficos arautos. Da minha destruição. E que antes conste nos autos. Da Constituição. Aos lautos. E aos incautos. Da prostituição. Que sou apenas o poeta. Que chegou agora há pouco na festa. E veio de mãos vazias. Trazendo apenas o que resta. Porque o melhor. O Papa papou. Porque não é Pop. Nem top. É apenas um comunista de batina. De fala cretina. Que no Vaticano. Como um caquético decano. Guarda debaixo do pano. O segredo do plano. Do ditador. Que abençoa Maduro. O Carniça. E qualquer outro ditador. Da Venezuela. Ou Brazilzuela. E qualquer uma aquela. Que lhe for bela. Sem temer a sequela. Da doença maldita. De quem acredita. Na Dona Maldita. Igreja do Senhor. Que cobra penhor. Dos reis papas aos papas reis. Não foi uma nem foram seis. As ditaduras eclesiásticas. Monocromáticas. E sempre simpáticas. Às Ordens monásticas. Tão drásticas. E antipáticas. Então não falo apenas na língua do “P” de política. Porque também é minha crítica. A saga paralítica. Da Igreja Secular. Da regular. E até da Quadrangular. Que pode ser Triangular. E que nunca irá se igualar. A angular. E que tem na flegma. Encurtada na zeugma. O parlatório. No oratório. Do perdedor. Batatas ao vencedor. E baratas ao torcedor. Do time contrário. Apenas um otário. Que pagou caro por sua estupidez. O mesmo injusto pagamento ao reacionário. Que disse ao merda do tal revolucionário. Que o preço é acionário. E que o banqueiro é mais anarquista. Que o tal do artista. Que se diz progressista. E é apenas um alpinista. Que dá entrevista. Quando o assunto é sério. Porque seu maldito critério. Sendo um deletério. É um impropério. — Quero falar de putaria e putagem. Porque putas não agem. Nem reagem. Apenas seguem a viagem. Retocando a maquiagem. Então lembro das loucas. Que não foram poucas. Mas todas eram moucas. Com seus gorros e toucas. Andavam sem qualquer vestimenta. Diante da tormenta. De Inverno. Enquanto eu com meu terno. Me achava terno E até eterno. Diante do aparelho de televisão. Que do mundo ocultava minha visão. E me tirava a previsão. De que um dia eu teria a mundivisão. Eu era um tolo e só queria foder. Enquanto as vadias da esquina da Aurora com a Consolação. Sabiam melhor que eu sobre o poder. E que se eram sujas tinham que feder. Enquanto eu na minha pobre tentação. Pensava apenas em tetas. Bucetas e punhetas. E num jeito de ser dono de mim. E acabar por fim. Como uma espécie de Santo. Que tinha por maior encanto. Ser feito um pastel de feira. De Segunda-feira. Que não fede mas cheira. Sovaco e frieira. Mas no Domingo à noite ainda servem o almoço. Àquele moço. Que se afunda até o pescoço. — Subo agora da Memória a ladeira. E quase caio da cadeira. Quando vejo estampada como numa bandeira. As cores da minha verdadeira. Vaca boiadeira. Que foi minha vida inteira. Tomo agora um Chá-de-Trepadeira. Porque ainda preciso crescer. Antes de me esquecer. Que sou aquilo que posso ser. E antes de merecer. A estátua justa. Conquistada à minha própria custa. Mesmo que seja injusta. Minha armadura vetusta. — Rogo agora aos deuses em quem não acredito. Porque sou um maldito. Ateu bendito. Que achar que o Benedito. É apenas um Santo proscrito. Por ter dito. O que não poderia ser escrito. E eu que não sou nenhum Cristo. Muito menos um Conde de Monte Cristo. E apenas existo. Como um câncer de quisto. Esperando morrer antes do previsto. Porque eu apenas existo. Antes de você nascer. E acha que vencer. É desobedecer. Àquele que te fez nascer. E acredita que um dia iremos todos renascer. Mas enquanto o que deixamos florescer. E aí a antiga pergunta do dramaturgo. Um voraz e autêntico demiurgo. Que nunca morou em Nova Hamburgo. Mas da humanidade virou expurgo. E disse para o mundo ainda tentar entender: Que a questão é ser ou não ser. Porque o nascer. A ninguém pode pertencer. E o desnascer. E o des-crer meu parecer. É apenas o nada. Feito uma granada. Que abre um buraco. No meio da escuridão. — Por fim lembro da vadiagem. Da espionagem. E da minha era libertinagem. E penso que o que construí à minha própria imagem. É apenas uma distorcida miragem. E que sou eu que vivo à margem. Me vendo como numa filmagem. Com o artista escritor que jamais descreve. Sobre aquilo que deve. Numa dívida que nunca prescreve. Como se deve. Então escrevo torto por linhas retas. Faço poemas com rimas incertas. E se assim não comovo. O Ditador Cabeça de Ovo. Que agora e ontem e de novo. Acha que é uma Galinha D’Angola . Que não demora a degola. Do que pede esmola. Na porta da escola. Ao Cristo Redentor. Acusando de criminoso infrator. Todo aquele improvisado. Sujeito mais que visado. Que nunca foi avisado. Sobre seu crime de conduta. Pela Juíza Substituta. Nem pelo filhodeumaputa. Do Ditador. Que estou cansado de rimar com Imperador. E então procuro rimas mais ricas dentro da Ordem Geral da Poesia. E só encontro rimas fodidas. E completamente despidas. De qualquer pudor. Ou outra coisa que rime com dor. E enquanto aguardo. Me resguardo, Porque “porque têm dias que de noite é foda”. Porque o que mesmo me incomoda. Não é tal moda. De não poder incomodar. Nem querer me acomodar. Porque os porcos chanchos. E seus capitães e ganchos. Ao chiqueiro. Ou ao puteiro. Querem me carregar. E quem dera um dia possa chegar. Em que consiga sair deste lugar. Então penso como quem dança. Que finita é minha esperança.
15/05/2024


Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.

Nunca existirá a última dança. Porque sempre há de existir a última esperança!