Nunca fui… Ou melhor já fui sim. Mas nos tempos de antes. De Abrantes como se dizia dantes. De sorrir para fotografias. Ah… Foi há muito tempo. Quando o tempo não avuava. Apenas corria. E se ia. Como o tempo se vai. Se esvai. Naquele tempo o tempo ia. E depois vinha. Como a vinha da uva. Cerveja, vinho, cansaço ou sono. Tem alguma diferença? Ah, esqueça. Que agora o tempo cai. E sai. De um jeito que ai ai. Nem se sabe como se vai. No vai da valsa. No cu da calça. Ou na alça. Do sutiã. Da anciã. Que do tempo se esconde. No cu do Conde. Tem passe de bonde? Onde? Ah… No cu do tempo. Esse deus maldito. Que nem acredito. Sugou todo meu sangue. E que nem meu pau grande. Aguentou. Mas como eu dizia. Eu nunca sorria. Em fotografia. Ria nas aulas. De geografia. Que a mestra. Tinha belas pernas. Cruzadas sobre a mesa. E de sobremesa. Tinha aveia com perna de barata. Era engraçado. Como o desgraçado. Do diretor. Arrancava a cinta e lanhava meu rabo. De bastardo. Ah… Quanta coisa tem que ser dita. Mas ninguém acredita. Nas histórias da Benedita. Quanto mais nas minhas. Eu começo falando de sorrisos. E acabo falando em guizos. De cobras. E nas sobras. De sova. Na minha corcova. Uma ova! Seu paspalho sem lembrança. Eu conheço sua dança. E nem tenho esperança. De te acordar. Como um verme. Que “passeia na Lua cheia”. Cheia de quê? De graça ou desgraça? “E o dia inteiro a traça… A roer”. Chame DDDrin. Para mim? Barata tem culpa no cartório. Sempre tem. Tem super-herói de tudo quanto é bicho e inseto. Mas o Capitão Barata nunca existiu. Agora existe. Sou eu. Aquele que resiste. Ao inseticida. Ao pesticida. Ao homicida. E que já resistiu. A Maria Aparecida. A tal da Cida. Loira gostosa que me serviu formicida. Na hora do jantar. E foi com as amigas. Se alimentar. Ah… Seu idiota. O assunto era fotografia sorrindo. E acabei indo falar da buceta da Cida. Que era ácida feito pesticida. Ou estriquinina. Como a buceta da Tina… (De novo a Tina? Que não se chama Cristina mas Clementina?) É. Sou um porra de um Zé. Mané. Aquele que “perdeu”. Segundo o sinistro. Ministro. Que não sabe o que é. Ser um Mané. Nem que seja um Garrincha. “O Anjo das Pernas Tortas”, como o chamou o Nelson. Um Rodrigues qualquer. Menos um da Rocha. Pega a tocha e incendeia. Pega minha marreta e esmigalha a pedra. Nietzsche filosofava com o martelo. Eu com a marreta. de pedreiro. Ou carpinteiro. O fato é que não sei sorrir. Nem na imagem. Nem na miragem. E não imagine que chorar é meu instantâneo. Como se chamava revelar fotografia. Nem momentâneo. Como se pode chamar. Minha boca torta. Minha imagem morta. Não queira fotografar. Meus dentes não podem estar à mostra. E é invasão de privacidade. Uma atrocidade. Um não sorrir. Quando rir. Parece ser uma necessidade. Poucos me viram. Nem me ouviram. Ou sentiram. Eu sorrir. E preciso dizer. Antes de desfazer. Que ninguém merecia. Quando eu sorria. E se da minha gargalhada. Gralhada. E escancarada. Deram risada. Saibram que por nada. Ou quase um segundo. Eu inundo. Sua cara lavada. Sem graça nem nada. De muita porrada. Sua puta desgraçada. Que roubou minha risada. Que chamou minha vida de privada. Por tudo e por nada. Na noite calada. Fez do meu riso uma enxurrada. De sangue. E daí eu consigo o quê? Dar risada. Da sua malfadada vida. De eterna desgraçada. Não como a traça do DDDrin. Mas assim. A desgraça que roeu a mim. Ah… Não acho graça em fotografia. Em fotos nunca atento à nenhuma graça. Troquei as dentaduras. Palmas para mim! E sorrisos para a fotografia. Em mim! Deixe isso para a sua Monografia. Da Universidade. Ou para a excentricidade. Da geografia.
14/04/2024


Do Livro:
Vômito de Metáforas
Barata Cichetto
Gênero: Crônicas Poéticas
Ano: 2024
Edição: 1ª
Editora: BarataVerso
Páginas: 248
Tamanho: 20 × 20 × 1,50 cm
Peso: 0,500
Barata Cichetto, Araraquara – SP, é o Criador e Editor do BarataVerso. Poeta e escritor, com mais de 30 livros publicados, também é artista multimídia e Filósofo de Pés Sujos. Um Livre Pensador.

É estranho como o tempo passa diferente nos tempos de hoje
comparado aos anos 90 ou até mesmo até pouco antes de 2010. Com a internet onipresente, as redes sociais, o entretenimento diário infinito e todo mundo com um smartphone no bolso, tudo ficou infinitamente mais rápido. É tão rápido que nem consigo pensar e assimilar o que acontece. Como se estivéssemos num tornado do tempo em que tudo passa tão rápido que não conseguímos nos situar em lugar algum ou ter um entendimento do que acontece de fato. É também estranho como acontecimentos e o próprio mundo que nos situamos parecem sugar minha vida aos poucos. Numa espécie de pessimismo niilista em que nada faz sentido e nada
faz diferença, fazer ou deixar de fazer. Einstein provou matematicamente que o tempo é relativo, inclusive em função da velocidade e da gravidade. Já a morte, penso como o fim de todo o sofrimento e dores que carregamos por tanto tempo. Um descanso final. O que considero ruim é a antivida, a negação do viver com paixão, coragem e honra. Às vezes fico meio desanimado, cansado e também perco minha coragem. A vontade é de largar tudo. Mas repenso que, quero que a minha vida termine com uma convicção que lutei por aquilo que considero bom e belo e lutei contra tudo que considero errado e odeio. Como queria Aquiles na Ilíada à sua maneira, a sua existência deixar uma marca até a sua morte.
“Antivida”, um termo interessante que eu nunca tinha visto. Mas me acendeu a lâmpada laranja de alerta. Porque não a vermelha, pois que essa se parece com o que não quero saber. Antivida…. Ou seria anti-vida… Não sei da gramática, mas minha matemática me diz que é um zero depois do um. Ou o oposto. De fato, como digo, se há um deus no Universo, senão é o verso é o Tempo. E que nos parece tão veloz. E tão atroz. Mas não é por nós, mas pelo Tempo que desperdiçamos com redes sociais. Conversar tolas e inúteis sobre a cor da borboleta. Ou o tamanho da buceta. Enfim, meu amigo. Antivida, com ou sem hífen, é o hímen que temos que romper. Ou interromper.